Decifra-me ou te devoro
Na
manhã seguinte o pai de Fani chegou, ao hospital visivelmente abatido em busca
de informações sobre o estado de saúde da filha. Ele estava tão desesperado que
nem estranhou a presença da Angelis ali, e só depois de obter informações e resolver questões burocráticas
no hospital ele foi conversar com a afilhada..
“Chegou faz tempo?” – ele pergunta
sentando ao lado da Angelis.
“Peguei o primeiro avião depois daquela
nossa conversa” – ela revela e deita a cabeça no ombro do padrinho – “Mas não
consegui falar com ela..” – sua voz sai fraquinha deixando transparecer sua
tristeza.
“Quando nos deparamos com uma
situação como essa é que percebemos o quão pequenos somos, por isso não podemos
perder tempo com bobagens, estou muito orgulhoso de sua atitude e tenho certeza
que logo menos a Faninha, vai acordar e vocês terão a oportunidade de conversar..” – Mesmo
sofrendo e com medo da filha não acordar, naquele momento ele precisava
conforta a Angelis que já perdeu os pais e não precisava sofrer mais uma perda em sua vida.
“Estou com tanto medo.. Da história
se repetir, sabe?” – ela sussurra deixando as lágrimas caírem em seu rosto.
“Oun filha, não pensa nisso..” – ela
a abraça – “Eu sempre achei que a única pessoa que poderia te fazer esquecer o
sofrimento pela morte do teus pais era a Fani, e foi o que aconteceu, mas o
destino resolveu colocar algumas pedras no caminho de vocês, talvez seja a
última. Tenho certeza que a Faninha vai acordar, seus pais estão protegendo
vocês duas, como sempre fizeram...” – ele a conforta.
***
Depois de uma semana o inchaço no
cérebro da Fani começava a diminuir, e segundo os médicos isso é um bom sinal.
E no final da segunda semana Fani começou a dar sinais de que acordaria. Os
médicos estavam concentrados e preparados para qualquer intervenção que fosse
necessário. Só depois que ela acordasse todos os médicos poderiam ter a
dimensão do seu estado e se o inchaço deixou alguma seqüela.
A ansiedade tomou conta de todos. O
clima ficou ainda mais tenso quando os médicos disseram que só o pai da Fani
poderia ficar no quarto com eles a espera que a Fani acordasse, Angelis e Nati
não aceitavam tal ordem e venceram a equipe pelo cansaço.
No quarto, seis pares de olhos
estavam vidrados na cama da Fani, ansiosos aguardando um pequeno movimento que
fosse. Mais algumas horas depois a equipe ficou alerta ao testar o estímulo
reflexo na mão da Fani e ela respondeu com sucesso. Nesse momento já estavam
todos de pé, mesmo os médicos pedindo que eles se afastassem e ficassem
sentados. As horas passavam e nada mudava.
“Essa demora é normal?” – Angelis
pergunta, ignorando o pedido dos médicos para que todos ficassem em silêncio.
“A previsão é que ela acorde nas
próximas 48hrs, mas isso é apenas uma estimativa.”
“Ou seja, nem vocês sabem o que
esperar..” – ela fala de forma grosseira, descontando sua frustração nos
médicos.
“Minha querida, não seja rude com os
médicos, eles estão fazendo o possível para trazer a Fani de volta. Você está
muito nervosa, acho melhor aguardarmos lá fora, vamos” – O pai da Fani fala de
uma forma calma, mas não deixando espaço para que ela discorde e mesmo a
contragosto ela sai.
“Ela acordou?” – Maroca perguntou
nervosa quando os viu saindo do quarto.
“Ainda não e nossa presença só
estava deixando o clima ainda mais tenso, melhor esperarmos por noticias aqui
mesmo” – Nati explica.
Mais um dia ia chegando ao fim e o
estado da Fani continuava o mesmo. Os médicos diziam que isso era bom, “pelo
menos não está se agravando”, mas essa justificativa só deixava Angelis ainda
mais nervosa. E depois de muita insistência, ela conseguiu convencer a todos de
que passaria a noite ao lado de Fani.
Sem consegui dormi, Angelis puxou a
poltrona para ficar próxima a Fani. Ela acariciava o rosto da loirinha,
traçando as linhas suaves enquanto a mesma dormia.
“Acorda Faninha, eu prometo que
nunca mais vou implicar contigo, você nem precisa me perdoar, se quiser nunca
mais olhar na minha cara, tudo bem vou aceitar, mas, por favor, acorda.. Tudo
fica muito triste sem a sua voz de moleca, sem o seu olhar sincero, sem as suas
gargalhadas, acorda Pin” – ela usa o apelido de quando ainda eram crianças
(Pin= princesa).
E de repente Fani mexe a mão e os
olhos tremem um pouco, num claro sinal que ela acordaria a qualquer momento,
rapidamente Angelis toca a campainha para logo em seguida os médicos
adentrassem ao quarto. Angelis explicou o que aconteceu e observou enquanto
eles checavam os aparelhos e faziam alguns exames rápidos em Fani, para então
confirmar...
“Ela tá acordando, deixem a equipe
de sobreaviso, e você tente ficar quieta, por favor” – Sem questionar as
ordens, Angelis sentou e ficou quase imóvel esperando o que mais ansiou nos
últimos dias.
Aos poucos os sinais de que Fani
estava acordando aumentavam. A respiração acelerava, leves movimentos eram
percebidos, principalmente nos olhos. E quando ela finalmente abriu os olhos,
os fechou imediatamente devido a claridade. Demorou mais alguns minutos até que
ela se acostumasse e finalmente falasse...
“Onde
estou?” – a voz estava muito baixa,
quase um sussurro, mas o suficiente para Angelis soltar a respiração que
segurava desde o momento que percebeu que ela estava acordando.
“Seja bem vinda de volta, você está
no hospital. Consegue lembrar seu nome?” – Um dos médicos pergunta de forma
tranquila.
“Fani, mas o que eu estou fazendo no
hospital?” – ela ainda está confusa e sente uma dor de cabeça.
“Você não lembra de nada?”
“Não sei, minha cabeça está doendo,
acho que estava surfando só lembro disso, o que aconteceu?” – ela pergunta
confusa.
“A dor de cabeça é por conta da
pancada, você estava surfando, mas caiu e bateu a cabeça nos corais, lembra?”
“Não, a quanto tempo estou aqui?
Quem me trouxe? Estou sozinha?”
“Fique tranqüila, você não pode se
agitar. Você ficou desacordada por duas semanas. Seus amigos te trouxeram e sua
família está sempre aqui com você, sua amiga dormiu com você essa noite.” – Ele
olha para Angelis pedindo que ela se aproxime.
Com o coração quase saindo pela
boca, Angelis levanta e vai até a cama, os olhos marejados, ela encara Fani e
na mesma hora percebe que algo está errado.
“Quem é você?” - Fani pergunta
angustiada, por não reconhecer a mulher a sua espera, mesmo tendo a sensação de
que a conhecia.
"Putz, Faninha perdeu a memória. E agora, Angelão?"
Por @MahStewart1
8 comentários:
Legal, mas o final ficou estranho, por que tipo, ela perdeu a memória mas lembra do nome dela COMASSIM? só se ela estiver zuando com a Angelis ushaushaushas
ESCLARECENDO: "A perda de memória também pode ser parcial, o que significa não poder lembrar somente de um determinado grupo de itens."
Que seja parcial sem or....mais Mah quanta tensão e isso nos primeiros capítulos...estou aqui a pensar se irei resistir até o fim desta história...rsrsr. Parabéns mah.
A fic não vai ser longa, por isso tem muita tensão no começo hahahaha
Mah vc é demais, ansiosa para os próximos capítulos!!
Já pode postar o próximo cap.....rsrsrs
só agora tive tempo de ler o cap 8.. parabéns pela história agora vou correr pra ler o cap 9, vc é uma ótima escritora.
Parabéns Mah so pude ler agora mais adorei, vc como sempre prendendo a gente. Suspense,rs.
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