“Dias tornaram-se semanas, semanas tornaram-se meses, e então em um dia nada especial, eu fui até minha máquina de escrever, me sentei e escrevi nossa história. Uma história sobre uma época, uma história sobre um lugar, uma história sobre as pessoas. Mas acima de todas as coisas uma história sobre amor. Um amor que viverá para sempre.” (Moulin Rouge)

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domingo, 19 de janeiro de 2014

CAPÍTULO 08

Decifra-me ou te devoro


           Na manhã seguinte o pai de Fani chegou, ao hospital visivelmente abatido em busca de informações sobre o estado de saúde da filha. Ele estava tão desesperado que nem estranhou a presença da Angelis ali, e só depois de obter  informações e resolver questões burocráticas no hospital ele foi conversar com a afilhada..
            “Chegou faz tempo?” – ele pergunta sentando ao lado da Angelis.
            “Peguei o primeiro avião depois daquela nossa conversa” – ela revela e deita a cabeça no ombro do padrinho – “Mas não consegui falar com ela..” – sua voz sai fraquinha deixando transparecer sua tristeza.
            “Quando nos deparamos com uma situação como essa é que percebemos o quão pequenos somos, por isso não podemos perder tempo com bobagens, estou muito orgulhoso de sua atitude e tenho certeza que logo menos a Faninha, vai acordar e vocês  terão a oportunidade de conversar..” – Mesmo sofrendo e com medo da filha não acordar, naquele momento ele precisava conforta a Angelis que já perdeu os pais e não precisava  sofrer mais uma perda em sua vida.
            “Estou com tanto medo.. Da história se repetir, sabe?” – ela sussurra deixando as lágrimas caírem em seu rosto.
            “Oun filha, não pensa nisso..” – ela a abraça – “Eu sempre achei que a única pessoa que poderia te fazer esquecer o sofrimento pela morte do teus pais era a Fani, e foi o que aconteceu, mas o destino resolveu colocar algumas pedras no caminho de vocês, talvez seja a última. Tenho certeza que a Faninha vai acordar, seus pais estão protegendo vocês duas, como sempre fizeram...” – ele a conforta.
***
            Depois de uma semana o inchaço no cérebro da Fani começava a diminuir, e segundo os médicos isso é um bom sinal. E no final da segunda semana Fani começou a dar sinais de que acordaria. Os médicos estavam concentrados e preparados para qualquer intervenção que fosse necessário. Só depois que ela acordasse todos os médicos poderiam ter a dimensão do seu estado e se o inchaço deixou alguma seqüela.
            A ansiedade tomou conta de todos. O clima ficou ainda mais tenso quando os médicos disseram que só o pai da Fani poderia ficar no quarto com eles a espera que a Fani acordasse, Angelis e Nati não aceitavam tal ordem e venceram a equipe pelo cansaço.
            No quarto, seis pares de olhos estavam vidrados na cama da Fani, ansiosos aguardando um pequeno movimento que fosse. Mais algumas horas depois a equipe ficou alerta ao testar o estímulo reflexo na mão da Fani e ela respondeu com sucesso. Nesse momento já estavam todos de pé, mesmo os médicos pedindo que eles se afastassem e ficassem sentados. As horas passavam e nada mudava.
            “Essa demora é normal?” – Angelis pergunta, ignorando o pedido dos médicos para que todos ficassem em silêncio.
            “A previsão é que ela acorde nas próximas 48hrs, mas isso é apenas uma estimativa.”
            “Ou seja, nem vocês sabem o que esperar..” – ela fala de forma grosseira, descontando sua frustração nos médicos.
            “Minha querida, não seja rude com os médicos, eles estão fazendo o possível para trazer a Fani de volta. Você está muito nervosa, acho melhor aguardarmos lá fora, vamos” – O pai da Fani fala de uma forma calma, mas não deixando espaço para que ela discorde e mesmo a contragosto ela sai.
            “Ela acordou?” – Maroca perguntou nervosa quando os viu saindo do quarto.
            “Ainda não e nossa presença só estava deixando o clima ainda mais tenso, melhor esperarmos por noticias aqui mesmo” – Nati explica.
            Mais um dia ia chegando ao fim e o estado da Fani continuava o mesmo. Os médicos diziam que isso era bom, “pelo menos não está se agravando”, mas essa justificativa só deixava Angelis ainda mais nervosa. E depois de muita insistência, ela conseguiu convencer a todos de que  passaria a noite ao lado de Fani.
            Sem consegui dormi, Angelis puxou a poltrona para ficar próxima a Fani. Ela acariciava o rosto da loirinha, traçando as linhas suaves enquanto a mesma dormia.
            “Acorda Faninha, eu prometo que nunca mais vou implicar contigo, você nem precisa me perdoar, se quiser nunca mais olhar na minha cara, tudo bem vou aceitar, mas, por favor, acorda.. Tudo fica muito triste sem a sua voz de moleca, sem o seu olhar sincero, sem as suas gargalhadas, acorda Pin” – ela usa o apelido de quando ainda eram crianças (Pin= princesa).
            E de repente Fani mexe a mão e os olhos tremem um pouco, num claro sinal que ela acordaria a qualquer momento, rapidamente Angelis toca a campainha para logo em seguida os médicos adentrassem ao quarto. Angelis explicou o que aconteceu e observou enquanto eles checavam os aparelhos e faziam alguns exames rápidos em Fani, para então confirmar...
            “Ela tá acordando, deixem a equipe de sobreaviso, e você tente ficar quieta, por favor” – Sem questionar as ordens, Angelis sentou e ficou quase imóvel esperando o que mais ansiou nos últimos dias.
            Aos poucos os sinais de que Fani estava acordando aumentavam. A respiração acelerava, leves movimentos eram percebidos, principalmente nos olhos. E quando ela finalmente abriu os olhos, os fechou imediatamente devido a claridade. Demorou mais alguns minutos até que ela se acostumasse e finalmente falasse...
            “Onde estou?” – a voz estava muito baixa,  quase um sussurro, mas o suficiente para Angelis soltar a respiração que segurava desde o momento que percebeu que ela estava acordando.
            “Seja bem vinda de volta, você está no hospital. Consegue lembrar seu nome?” – Um dos médicos pergunta de forma tranquila.
            “Fani, mas o que eu estou fazendo no hospital?” – ela ainda está confusa e sente uma dor de cabeça.
            “Você não lembra de nada?”
            “Não sei, minha cabeça está doendo, acho que estava surfando só lembro disso, o que aconteceu?” – ela pergunta confusa.
            “A dor de cabeça é por conta da pancada, você estava surfando, mas caiu e bateu a cabeça nos corais, lembra?”
            “Não, a quanto tempo estou aqui? Quem me trouxe? Estou sozinha?”
            “Fique tranqüila, você não pode se agitar. Você ficou desacordada por duas semanas. Seus amigos te trouxeram e sua família está sempre aqui com você, sua amiga dormiu com você essa noite.” – Ele olha para Angelis pedindo que ela se aproxime.
            Com o coração quase saindo pela boca, Angelis levanta e vai até a cama, os olhos marejados, ela encara Fani e na mesma hora percebe que algo está errado.
            “Quem é você?” - Fani pergunta angustiada, por não reconhecer a mulher a sua espera, mesmo tendo a sensação de que a conhecia. 
"Putz, Faninha perdeu a memória. E agora, Angelão?"
Por @MahStewart1 

8 comentários:

Unknown disse...

Legal, mas o final ficou estranho, por que tipo, ela perdeu a memória mas lembra do nome dela COMASSIM? só se ela estiver zuando com a Angelis ushaushaushas

Mah Stewart disse...

ESCLARECENDO: "A perda de memória também pode ser parcial, o que significa não poder lembrar somente de um determinado grupo de itens."

Anônimo disse...

Que seja parcial sem or....mais Mah quanta tensão e isso nos primeiros capítulos...estou aqui a pensar se irei resistir até o fim desta história...rsrsr. Parabéns mah.

Mah Stewart disse...

A fic não vai ser longa, por isso tem muita tensão no começo hahahaha

Anônimo disse...

Mah vc é demais, ansiosa para os próximos capítulos!!

Anônimo disse...

Já pode postar o próximo cap.....rsrsrs

Anônimo disse...

só agora tive tempo de ler o cap 8.. parabéns pela história agora vou correr pra ler o cap 9, vc é uma ótima escritora.

Anônimo disse...

Parabéns Mah so pude ler agora mais adorei, vc como sempre prendendo a gente. Suspense,rs.

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