“Dias tornaram-se semanas, semanas tornaram-se meses, e então em um dia nada especial, eu fui até minha máquina de escrever, me sentei e escrevi nossa história. Uma história sobre uma época, uma história sobre um lugar, uma história sobre as pessoas. Mas acima de todas as coisas uma história sobre amor. Um amor que viverá para sempre.” (Moulin Rouge)

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domingo, 27 de abril de 2014

CAPÍTULO 03


Ela me faz tão bem...

            “Então deixa ver se eu entendi, próxima semana você começa a estagiar nessa Ong e pra não correr o risco de se perder e chegar atrasada nós estamos indo lá agora pra conhecer o caminho, é isso?” – May pergunta enquanto brinca com o Max no banco de trás do carro. Clara buscou o filho no final da manhã para almoçar com ela e a amiga e levá-lo com elas ao ‘passeio’

            “É isso mesmo, mas nem vamos entrar, só quero mesmo saber o caminho direitinho e depois podemos ir ao parque aproveitar à tarde, que tal?”

            “Tão responsável essa minha amiga, mas porque não podemos entrar? Eu iria adorar conhecer essa Ong”

            “Continue me zoando, Nobre Escritora... E bom, acho que não teria problema se entrássemos um pouco pra conhecer a Ong, o Max também vai amar ver os bichinhos. Quer ver muitos gatinhos, filho?” – Clara aproveita o sinal vermelho para se virar e falar com o filho e sorrir

            “miaaau” – Max diz

            “Isso filho, vamos ver muitos miaau”

            A ONG ficava um pouco afastada da loucura de São Paulo, mas não muito distante. E durante a “viagem” May ficou responsável pela trilha sonora, “Max você vai aprender desde cedo o que é música de verdade” ela dizia. Do banco da frente Clara estampava um sorriso maravilhoso ao ver a felicidade do filho, ela só não sabia se o garoto estava gostando das músicas ou se ria das danças malucas que sua amiga fazia, mas o motivo pouco importava diante o agradável som de suas gargalhadas inocentes.

            “Não tem nem uma semana que voltei de viagem e você já está me empurrando trabalho” – Thais finge está irritada, mas na verdade só queria encher a paciência de Vanessa

            “Deixa de drama que não estou te pedindo nada demais, você só precisa ficar de olho em tudo aqui por algumas horas até que eu faça esse resgate” – Vanessa falava e colocava os materiais que poderia precisar, remédios, água, etc..

            “Eu fico com o maior prazer... Se você prometer que vai naquela festa comigo no sábado...” – Thais fazendo chantagem de forma curta e direta rsrs

            “Eu estou indo salvar um cachorrinho que foi atropelado e largado no meio da rua e você tá fazendo chantagem pra me fazer um favor?” – Vanessa tenta virar o jogo

            “Nem adianta querer que eu fique com peso na consciência, enquanto você se preocupa com os bichinhos, eu me preocupo com você” – Ela pisca um olho pra amiga

            “Tá bom, Thais. Vou a tal festa com você, agora fique de olho nos meus filhos e em todo o resto” – Vanessa fala séria já entrando no carro

            “Sim senhora e boa sorte em mais uma missão, minha heroína” – Thais zoa a amiga

            Quando já estava saindo da estradinha de terra que dava acesso a chácara Vanessa percebeu um carro que seguia em direção ao local, estranhou por nunca ter visto aquele carro por ali, mas imaginou que poderia ser algum morador da região precisando de atendimento, enfim, a clínica estava aberta e Thais estava em casa, se fosse algo importante ela avisaria.

            Vanessa dirigia e tentava não pensar no que a esperava, era sempre assim. Por mais experiência que tivesse, por mais que já tivesse feito milhares resgates, ela jamais estaria preparada para ver um animal sofrendo. Ainda mais quando se tratava do efeito da crueldade humana. E atropelar um animal e seguir seu caminho como se nada tivesse acontecido, era muito desumano para que ela pudesse compreender, e na verdade ela se orgulhava de não compreender, isso mostrava que ela era diferente.

            Ela tentava não pensar muito sobre a pessoa que causou o acidente, nem mesmo no estado que encontraria o cachorro, isso gerava uma ansiedade que iria atrapalhar seu trabalho. Nos primeiros resgates que Vanessa participou ela ainda estava no começo da faculdade, a sua falta de experiência e o nervosismo ao se chocar com cenas fortes a fizeram cometer alguns erros. Mas isso lhe serviu de aprendizado, e com o tempo ela foi aprendendo a manter o controle. Só não confundam manter o controle com frieza. Vanessa jamais conseguiria ser fria diante um animal. 

            Clara parou em frente ao grande portão de madeira de dava acesso a Ong e logo um senhor muito simpático se aproximou do carro, e após Clara explica quem era, ele abriu o portão.

            “Clarinha que lugar lindo” – May estava impressionada

            “Também estou encantada, essa chácara é o sonho de qualquer pessoa que trabalhe com ONG de proteção animal...” – Clara fala com o filho em seus braços.

            “Boa tarde, em que posso ajudar?” – Thais fala ao encontrar as duas mulheres de costas, admirando tudo

            “Boa tarde, eu sou a Clara...” – Clara viu de encontro a voz e reconheceu Thais – “Hey, eu te conheço” – Ela diz rindo

            “Eu também lhe conheço, mas vem vamos entrar, estão perdidas por aqui? Hahahahaha” 

            “Não, primeiro deixa eu te apresentar essa é minha amiga May, ela veio me acompanhar porque na segunda começo a estagiar aqui e queria conhecer o caminho antes e tal...” 

            “Oi May, sou a Thais, mas peraê, mentira que você é uma das estagiárias... Que mundo pequeno” – Elas estavam sentadas na varanda da casa e Max brincava no chão

            “Pois é, só não me diga que você é dona desse paraíso”

            “Não, se a Vanessa tivesse aqui ela diria que os donos da chácara são os bichos, ela só faz administrar hahahahahaha”

“Então, essa Vanessa que é a responsável pela Ong? Moro fora e sempre gostei da causa animal e posso falar, nunca vi um lugar tão lindo como esse, essa moça merece os parabéns” – May não consegue conter o encantamento 

“Nossa, você tem que falar isso pessoalmente pra Van, ela se dedica quase que integralmente a isso aqui, ás vezes até brigamos porque ela acaba esquecendo que existe vida além dessa chácara, eu e a Tia Sol precisamos ficar no pé dela o tempo todo”

“Tia Sol? A mesma da escola?” – Clara pergunta confusa

“Sim, a Van é filha da Tia Sol, você não sabia?”

“Definitivamente o mundo é um ovo hahahahahahaha”

“mamã miaau, miaau mamã” – Max apontava para os gatinhos que brincavam embaixo de uma árvore tentando pegar algumas borboletas que voavam por ali

“Quer ver os gatinhos? Vem que a tia te leva..” – Max foi logo estendendo os bracinhos pra Thais

            Thais não mostrou apenas os gatinhos, ela fez questão de apresentar cada cantinho daquele lugar. Clara observava tudo com atenção e ouvia as histórias que a Thais contava e ficava encantada e ao mesmo tempo curiosa e instigada pra conhecer Vanessa.

            Max era o mais animado, corria querendo pegar os bichinhos, se longe se ouvia as gargalhadas do menino, que ficou um pouco assustado com os latidos dos cachorros que queriam chamar a atenção das visitas, mas logo ele foi se acostumando.

            E após conhecer todas as instalações da Ong, Clara achou melhor voltar para casa antes que ficasse muito tarde, queria muito conhecer Vanessa, mas pelo visto o resgate iria demorar. Se despediu da Thais, sabendo que ali nasceria uma amizade, May também adorou a moça desinibida.

            “O que foi May? Tá calada..” – Clara observa a amiga pensativa no caminho de volta

            “Acho que foi a energia daquele lugar, não sei explicar... Uma sensação de paz”

            “Também sair de lá mais leve, uma paz no coração e uma vontade de sorrir”

            “Esse estágio vai mudar tua vida Clarinha, eu só espero que você esteja preparada pra isso...”

            Clara não entendeu o que a amiga quis dizer com aquilo, mas não também não questão, há muito tempo deixou de questionar esses pressentimentos da May, afinal ela já teve provas suficientes que deve sempre confiar no sexto sentido dela.

            Vanessa chegou à chácara horas depois, com um sorriso de satisfação no rosto depois de conseguir salvar mais uma vida. O cachorrinho estava bem machucado, mas com os devidos cuidados ele logo estaria pronto para ser recebido por uma família que o amaria muito. E depois de um banho quente e um jantar, mais que merecido, ela estava deitada em seu quarto rodeado pelos seus filhos e ouvindo o relatório que a Thais fazia sobre o dia...

            “Van, lembra da gata que eu conheci na escola da tia Sol?”

            “De novo essa história, Thais?”

            “Você não vai acreditar... Ela vai ser uma das suas estagiárias e digo mais ela veio hoje aqui só pra conhecer o caminho e não se atrasar na segunda”

            “Como assim, que loucura é essa agora?”

            “É isso mesmo, ela chegou aqui junto com uma amiga e o filhinho dela conversamos durante quase toda a tarde, mostrei como funcionava a Ong, ela ficou encantada, aliás, não apenas elas, a amiga, que também é gata, mora fora e ficou babando pelo seu trabalho e o pequeno se divertiu com os gatinhos”
 
            “Eu só espero que você não tenha assediado a moça, olha lá heim Thais, agora além de ser mãe de aluno da minha mãe ela também vai trabalhar comigo”

            “Quero só ver essa praticidade toda quando puser os olhos nela hahahahahahahaha”

            “Até parece que não me conhece, sou responsável, meu trabalho vem sempre em primeiro lugar”

            “É exatamente por te conhecer que estou falando isso, sei que você não costuma deixar de viver suas vontades, e a Clara é o tipo de mina que você curte, vai por mim”

            “Já chega, Thais. Estou cansada e esses teus delírios tão me deixando com dor de cabeça, vai logo dormir”

            “Ainda vou rir de ti pagando paixão pela estagiária gatinha HAHAHAHAHAHAHAHAHA”

            Vanessa sorriu das loucuras da amiga, ciente de que não se deixaria envolver por alguém que trabalha com ela e ainda por cima tem filho e deve até ser casada.


 

15 comentários:

Anônimo disse...

Já quero o capítulo 4 ,to amando dms

Ingrid disse...

Desespero que elas não se encontram!! Kede capitulo 4?! Kede?

Laurinha disse...

Ameii ,acompanho senpre, qro o capítulo 4, elas se encontrando!!
Não demora pra postar!!

Anônimo disse...

Muiito bom....
Ja quero o 4.. quando sai?

mara disse...

Adorei quero mais!!!

Anônimo disse...

posta mais!!!!!!

Unknown disse...

quando sai o capitulo 04

Anônimo disse...

Perfeito. Quando sai o cap 4?

Thaisa disse...

kede esse cap 4?

Anônimo disse...

Continuaaaaa quero o cap 4 :'(((

Wardani disse...

quero o capitulo 4 logo vaii ! #MuitoAnciosa

Unknown disse...

Ameeei , quero muito o cap 4 , posta rapido pfvr hihihihi

Anônimo disse...

Vc é uma ótima escritora.
E a fic decifra- me ou te devoro, quando vc vai voltar a escrever?

Anônimo disse...

Kede o cap 4 desse site??

Anônimo disse...

Não vai rolar continuação?

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