Ela me faz tão bem...
“Então deixa ver se eu entendi,
próxima semana você começa a estagiar nessa Ong e pra não correr o risco de se
perder e chegar atrasada nós estamos indo lá agora pra conhecer o caminho, é
isso?” – May pergunta enquanto brinca com o Max no banco de trás do carro.
Clara buscou o filho no final da manhã para almoçar com ela e a amiga e levá-lo
com elas ao ‘passeio’
“É
isso mesmo, mas nem vamos entrar, só quero mesmo saber o caminho direitinho e
depois podemos ir ao parque aproveitar à tarde, que tal?”
“Tão
responsável essa minha amiga, mas porque não podemos entrar? Eu iria adorar
conhecer essa Ong”
“Continue
me zoando, Nobre Escritora... E bom, acho que não teria problema se entrássemos
um pouco pra conhecer a Ong, o Max também vai amar ver os bichinhos. Quer ver
muitos gatinhos, filho?” – Clara aproveita o sinal vermelho para se virar e
falar com o filho e sorrir
“miaaau”
– Max diz
“Isso
filho, vamos ver muitos miaau”
A ONG ficava um pouco afastada da
loucura de São Paulo, mas não muito distante. E durante a “viagem” May ficou
responsável pela trilha sonora, “Max você
vai aprender desde cedo o que é música de verdade” ela dizia. Do banco da
frente Clara estampava um sorriso maravilhoso ao ver a felicidade do filho, ela
só não sabia se o garoto estava gostando das músicas ou se ria das danças
malucas que sua amiga fazia, mas o motivo pouco importava diante o agradável
som de suas gargalhadas inocentes.
“Não
tem nem uma semana que voltei de viagem e você já está me empurrando trabalho”
– Thais finge está irritada, mas na verdade só queria encher a paciência de
Vanessa
“Deixa
de drama que não estou te pedindo nada demais, você só precisa ficar de olho em
tudo aqui por algumas horas até que eu faça esse resgate” – Vanessa falava e
colocava os materiais que poderia precisar, remédios, água, etc..
“Eu
fico com o maior prazer... Se você prometer que vai naquela festa comigo no
sábado...” – Thais fazendo chantagem de forma curta e direta rsrs
“Eu
estou indo salvar um cachorrinho que foi atropelado e largado no meio da rua e
você tá fazendo chantagem pra me fazer um favor?” – Vanessa tenta virar o jogo
“Nem
adianta querer que eu fique com peso na consciência, enquanto você se preocupa
com os bichinhos, eu me preocupo com você” – Ela pisca um olho pra amiga
“Tá
bom, Thais. Vou a tal festa com você, agora fique de olho nos meus filhos e em
todo o resto” – Vanessa fala séria já entrando no carro
“Sim
senhora e boa sorte em mais uma missão, minha heroína” – Thais zoa a amiga
Quando
já estava saindo da estradinha de terra que dava acesso a chácara Vanessa
percebeu um carro que seguia em direção ao local, estranhou por nunca ter visto
aquele carro por ali, mas imaginou que poderia ser algum morador da região
precisando de atendimento, enfim, a clínica estava aberta e Thais estava em
casa, se fosse algo importante ela avisaria.
Vanessa dirigia e tentava não pensar
no que a esperava, era sempre assim. Por mais experiência que tivesse, por mais
que já tivesse feito milhares resgates, ela jamais estaria preparada para ver
um animal sofrendo. Ainda mais quando se tratava do efeito da crueldade humana.
E atropelar um animal e seguir seu caminho como se nada tivesse acontecido, era
muito desumano para que ela pudesse compreender, e na verdade ela se orgulhava
de não compreender, isso mostrava que ela era diferente.
Ela tentava não pensar muito sobre a
pessoa que causou o acidente, nem mesmo no estado que encontraria o cachorro,
isso gerava uma ansiedade que iria atrapalhar seu trabalho. Nos primeiros
resgates que Vanessa participou ela ainda estava no começo da faculdade, a sua
falta de experiência e o nervosismo ao se chocar com cenas fortes a fizeram
cometer alguns erros. Mas isso lhe serviu de aprendizado, e com o tempo ela foi
aprendendo a manter o controle. Só não confundam manter o controle com frieza.
Vanessa jamais conseguiria ser fria diante um animal.
Clara parou em frente ao grande
portão de madeira de dava acesso a Ong e logo um senhor muito simpático se
aproximou do carro, e após Clara explica quem era, ele abriu o portão.
“Clarinha
que lugar lindo” – May estava impressionada
“Também
estou encantada, essa chácara é o sonho de qualquer pessoa que trabalhe com ONG
de proteção animal...” – Clara fala com o filho em seus braços.
“Boa
tarde, em que posso ajudar?” – Thais fala ao encontrar as duas mulheres de
costas, admirando tudo
“Boa
tarde, eu sou a Clara...” – Clara viu de encontro a voz e reconheceu Thais –
“Hey, eu te conheço” – Ela diz rindo
“Eu
também lhe conheço, mas vem vamos entrar, estão perdidas por aqui? Hahahahaha”
“Não,
primeiro deixa eu te apresentar essa é minha amiga May, ela veio me acompanhar
porque na segunda começo a estagiar aqui e queria conhecer o caminho antes e
tal...”
“Oi
May, sou a Thais, mas peraê, mentira que você é uma das estagiárias... Que
mundo pequeno” – Elas estavam sentadas na varanda da casa e Max brincava no
chão
“Pois
é, só não me diga que você é dona desse paraíso”
“Não,
se a Vanessa tivesse aqui ela diria que os donos da chácara são os bichos, ela
só faz administrar hahahahahaha”
“Então, essa Vanessa
que é a responsável pela Ong? Moro fora e sempre gostei da causa animal e posso
falar, nunca vi um lugar tão lindo como esse, essa moça merece os parabéns” –
May não consegue conter o encantamento
“Nossa, você tem que
falar isso pessoalmente pra Van, ela se dedica quase que integralmente a isso
aqui, ás vezes até brigamos porque ela acaba esquecendo que existe vida além
dessa chácara, eu e a Tia Sol precisamos ficar no pé dela o tempo todo”
“Tia Sol? A mesma da
escola?” – Clara pergunta confusa
“Sim, a Van é filha da
Tia Sol, você não sabia?”
“Definitivamente o
mundo é um ovo hahahahahahaha”
“mamã miaau, miaau
mamã” – Max apontava para os gatinhos que brincavam embaixo de uma árvore
tentando pegar algumas borboletas que voavam por ali
“Quer ver os gatinhos?
Vem que a tia te leva..” – Max foi logo estendendo os bracinhos pra Thais
Thais
não mostrou apenas os gatinhos, ela fez questão de apresentar cada cantinho
daquele lugar. Clara observava tudo com atenção e ouvia as histórias que a
Thais contava e ficava encantada e ao mesmo tempo curiosa e instigada pra
conhecer Vanessa.
Max
era o mais animado, corria querendo pegar os bichinhos, se longe se ouvia as
gargalhadas do menino, que ficou um pouco assustado com os latidos dos
cachorros que queriam chamar a atenção das visitas, mas logo ele foi se
acostumando.
E após conhecer todas as instalações
da Ong, Clara achou melhor voltar para casa antes que ficasse muito tarde,
queria muito conhecer Vanessa, mas pelo visto o resgate iria demorar. Se
despediu da Thais, sabendo que ali nasceria uma amizade, May também adorou a
moça desinibida.
“O
que foi May? Tá calada..” – Clara observa a amiga pensativa no caminho de volta
“Acho
que foi a energia daquele lugar, não sei explicar... Uma sensação de paz”
“Também
sair de lá mais leve, uma paz no coração e uma vontade de sorrir”
“Esse
estágio vai mudar tua vida Clarinha, eu só espero que você esteja preparada pra
isso...”
Clara
não entendeu o que a amiga quis dizer com aquilo, mas não também não questão,
há muito tempo deixou de questionar esses pressentimentos da May, afinal ela já
teve provas suficientes que deve sempre confiar no sexto sentido dela.
Vanessa chegou à chácara horas
depois, com um sorriso de satisfação no rosto depois de conseguir salvar mais
uma vida. O cachorrinho estava bem machucado, mas com os devidos cuidados ele
logo estaria pronto para ser recebido por uma família que o amaria muito. E
depois de um banho quente e um jantar, mais que merecido, ela estava deitada em
seu quarto rodeado pelos seus filhos e ouvindo o relatório que a Thais fazia
sobre o dia...
“Van,
lembra da gata que eu conheci na escola da tia Sol?”
“De
novo essa história, Thais?”
“Você
não vai acreditar... Ela vai ser uma das suas estagiárias e digo mais ela veio
hoje aqui só pra conhecer o caminho e não se atrasar na segunda”
“Como
assim, que loucura é essa agora?”
“É
isso mesmo, ela chegou aqui junto com uma amiga e o filhinho dela conversamos
durante quase toda a tarde, mostrei como funcionava a Ong, ela ficou encantada,
aliás, não apenas elas, a amiga, que também é gata, mora fora e ficou babando
pelo seu trabalho e o pequeno se divertiu com os gatinhos”
“Eu
só espero que você não tenha assediado a moça, olha lá heim Thais, agora além
de ser mãe de aluno da minha mãe ela também vai trabalhar comigo”
“Quero
só ver essa praticidade toda quando puser os olhos nela hahahahahahahaha”
“Até
parece que não me conhece, sou responsável, meu trabalho vem sempre em primeiro
lugar”
“É
exatamente por te conhecer que estou falando isso, sei que você não costuma
deixar de viver suas vontades, e a Clara é o tipo de mina que você curte, vai
por mim”
“Já
chega, Thais. Estou cansada e esses teus delírios tão me deixando com dor de
cabeça, vai logo dormir”
“Ainda
vou rir de ti pagando paixão pela estagiária gatinha HAHAHAHAHAHAHAHAHA”
Vanessa
sorriu das loucuras da amiga, ciente de que não se deixaria envolver por alguém
que trabalha com ela e ainda por cima tem filho e deve até ser casada.

15 comentários:
Já quero o capítulo 4 ,to amando dms
Desespero que elas não se encontram!! Kede capitulo 4?! Kede?
Ameii ,acompanho senpre, qro o capítulo 4, elas se encontrando!!
Não demora pra postar!!
Muiito bom....
Ja quero o 4.. quando sai?
Adorei quero mais!!!
posta mais!!!!!!
quando sai o capitulo 04
Perfeito. Quando sai o cap 4?
kede esse cap 4?
Continuaaaaa quero o cap 4 :'(((
quero o capitulo 4 logo vaii ! #MuitoAnciosa
Ameeei , quero muito o cap 4 , posta rapido pfvr hihihihi
Vc é uma ótima escritora.
E a fic decifra- me ou te devoro, quando vc vai voltar a escrever?
Kede o cap 4 desse site??
Não vai rolar continuação?
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