Ela me faz tão bem...
Liberdade. Sem dúvida essa é a palavra que melhor
define Clara. E por favor, não confunda liberdade com irresponsabilidade ou
inconseqüência. Liberdade para Clara era algo simples, significa viver o que
sente. Se permitir. E vale lembrar que, “ser livre não é fazermos aquilo que
queremos, mas querer aquilo que se pode” Satre. E por isso não há limites para
quem é livre, porque eles se permitem, logo tudo pode.
Clara
tinha uma rotina digna de roteiro de filme de ação. E seus dias começam sempre
muito cedo. O despertador toca avisando que a primeira missão do dia deve
iniciar. Preparar o Max para a escola. E o garoto não parecia só fisicamente
com a mãe, herdou também o bom humor, mas também quem não acordaria sorrindo se
recebesse os carinhos de Clara logo cedo? E depois da farra no banho, um café
da manhã tranqüilo e rumo à escolinha.
Era
o primeiro ano do Max na escola, na verdade era mais como uma creche, já que
ele ficava em tempo integral, mas o menino se adaptou rápido. Chegando a
escola, Max foi recebido pela “tia” e logo se juntou aos coleguinhas. Clara,
que já estava atrasada para a faculdade, não pode ficar babando o filho e logo
foi para a sua segunda missão do dia: Faculdade.
E
na faculdade, Clara não poderia receber melhor notícia “fechamos uma parceria com uma Ong onde vocês iniciarão suas atividades
de estágio”, desde o começo do semestre Clara havia manifestado a vontade
de estagiar numa Ong, mas não conseguia encontrar uma que a recebesse. O
professor não deu muitos detalhes, pois segundo ele a parceria ainda estava
sendo finalizada, mas garantiu que tudo daria certo e pediu que eles estivessem
preparados, pois no máximo em quinze dias dariam início as atividades.
Clara
chegou mais cedo a escola e aproveitou para conversar com Solange, dona da
escola, sempre que tem um tempo ela gosta de saber como está o andamento do
filho...
“Então, Dona Solange meu pequeno tem se
comportado direitinho?”
“Sem esse Dona, por favor” – Solange
brinca
“Desculpa, é força do hábito hehe”
“Tá desculpada. Seu filho é um
príncipe, Clara. Educado, participativo, está sempre sorrindo e ainda ajuda a
tia...”
“Como assim?” – Clara ficava toda
boba ao ouvir os elogios ao filho
“Sabe como é criança, né? Vez ou
outra acontece uma briguinha e o Max sempre ajuda, ainda vou gravar pra você o
ver dizendo ‘num pode bigar cum amiguinho’” – Solange contava também com um
sorriso bobo no rosto.
“Esse meu filho é um figurinha, é
muito bonzinho, não tenho do que reclamar”
“Você tem mérito nisso, o educa
muito bem, mesmo vivendo uma rotina tão atribulada...” – Solange conhecia um
pouco da história de Clara.
“Nem me fale, tem dias que eu penso
que não vou conseguir, mas basta ouvir uma gargalhada do meu filhote que os
problemas e o cansaço ficam em segundo plano”
“Isso é ser mãe hahahahaha”
A
conversa é interrompida quando Thais entra na sala, sem avisar...
“Cheguei – ela brinca, mas logo fica
constrangida ao perceber que atrapalhou uma conversa – Nossa, desculpa Tia Sol,
não tinha ninguém na recepção não sabia que estava ocupada, vou esperar aqui
fora, nossa mil desculpas...”
“Sem problemas, pode ficar, eu já
estava de saída. Estou morrendo de saudade do meu pequeno, será que posso tirar
ele de sala um pouco mais cedo?” – Clara, muito simpática, chama a atenção de
Thais ao ficar de pé para se despedir de Solange
“Claro, vamos te acompanho até a
salinha dele e falo com a professora. Só um minuto Thais, eu já volto”
“Posso ir também, fiquei curioso pra
conhecer seu filho... Quer dizer você parece ser tão nova e é tão bonita...” –
Thais diz sem pensar, deixado Solange a ponto de matá-la, mas Clara rir da
situação
“Não sou tão nova assim, mas vamos
lá conhecer meu pequeno príncipe” – Clara sentia os olhares da moça o tempo
todo e adorou, ela adora despertar o interessa das pessoas.
Logo Clara já
estava no carro levando o filho para casa, e ainda ria ao lembrar da forma
descarada como a tal Thais a paquerava. Clara, aliás, já estava mais que
acostumada com esse tipo de assédio, sempre que discotecava recebia cantada
tanto de homens como de mulheres, e ela amava aquilo.
Em
casa ela aproveitava cada segundo para curtir o Max. Logo quando voltou ao
Brasil, ela ficou um tempo morando com a mãe, mas queria ter sua independência
e também para evitar conflitos, logo que foi possível ela comprou seu
apartamento e se mudou com o filho. Mas não se afastou da mãe, até porque nos
finais de semana em que está disco tecando, Dona Rose faz questão de ficar com
o neto.
A
relação de Clara com a mãe foi tranqüila até certo período. Os conflitos começaram
a aparecer ainda na adolescência. Filha de pais separados, Clara não teve o
apoio da mãe quando começou a se relacionar com meninas. Dona Rose não admitiu
“esse tipo de comportamento” da filha e isso foi gerando um afastamento entre
elas.
Bastou
alcançar a maioridade, Clara foi morar no exterior a convite de uma amiga que
estava morando em Las Vegas e trabalhando como webstriper. No começo ela até
ficou um pouco desconfortável, mas com o tempo foi se acostumando e até
gostando bastante daquela profissão. Ela fazia cada vez mais sucesso e sempre
mandava dinheiro para a mãe no Brasil, que mesmo sem aprovar as escolhas da
filha, acabou se conformando, percebendo que agora ela já havia crescido e
mandava na própria vida.
E
foi através do seu trabalho que Clara conheceu Fábian, um argentino que também
morava em Vegas. Em pouco tempo, Fábian deixou de ser cliente e passou a ser
namorado. Ele entendia o trabalho de Clara e sempre a apoiava em suas decisões,
sentimento novo para ela, que sempre foi reprimida e questionada. Ele também
não se importava com o fato dela gostar de ficar com garotas.
Clara
estava nas nuvens. Havia conseguido sua independência financeira. Sua mãe agora
a tratava muito bem, afinal ela estava namorando um homem, empresário. O namorado
era compreensivo e ainda embarcava nas loucuras dela. O que mais ela poderia
querer?
E
foi pensando nisso que o casal decidiu ter um filho. Em menos de um mês de
namoro eles já tinham juntado as escovas de dente, e um ano depois veio o
desejo de ter um filho para completar a família. Clara fez questão que o filho
nascesse em seu país, e aos 22 anos ela pôs no mundo, Max. Depois que o filho
nasceu, ela ficou três meses com a mãe, Fábian precisou voltar para Vegas por
conta de seu trabalho. E nesses três meses algumas coisas começaram a mudar.
Incentivada
pela amiga, May, Clara começou a pensar em outras possibilidades para o seu
futuro. Terminar a faculdade de veterinária, ou investir na carreira de Dj, que
ela já vinha estudando e até fazendo alguns trabalhos em Vegas, mas isso
parecia incomodar Fábian. Para ele, Clara devia continuar fazendo o que gostava
e o que já estava lhe rendendo um excelente salário.
Voltando
para Vegas, Clara decidiu seguir os conselhos da amiga e se aventurar nas
pick-ups. A princípio Fábian não gostou muito da ideia, mas depois acabou
relevando até porque outro assunto estava lhe preocupando, problemas na
empresa. Clara não fazia ideia dos problemas que o marido estava envolvido, mas
o sentia cada dia mais nervoso e irritado.
Meses
depois a bomba estourou. Fábian havia fraudado a própria empresa. Clara não
queria acreditar no que estava acontecendo, o marido lhe garantia que tudo não
passava de inveja do antigo sócio. Vendo que a situação estava ficando cada vez
mais complicada, o próprio Fábian pediu que Clara voltasse para o Brasil e
ficasse por lá até que ele resolvesse sua situação. Decepcionada, Clara então
voltou ao seu país.
Dona
Rose estranhou a mudança repentina da filha, mas acreditou na desculpa de Clara
“Nós achamos melhor voltar para educar o Max aqui, o Fábian está resolvendo as
coisas na empresa para também se mudar de vez pra cá”. Rose, ficou super
contente com novidade, no entanto os meses passaram e nada o genro chegar.
Durante esses dois anos que Clara está no Brasil, Fábian veio apenas uma vez
visitá-la, o que fez Rose desconfiar que essa história estava faltando algumas
partes.
Hoje,
Clara já não sabia qual era seu status, mas isso nunca importou muito pra ela,
e agora não ia ser diferente. E mais uma vez, Clara foi a luta. Aproveitou que
estava de volta ao seu país e decidiu dar novos rumos a sua vida. Voltou a
faculdade e deu continuidade ao seu trabalho como Dj.
Durante
esse tempo, Clara conheceu várias pessoas diferentes e se envolveu com algumas
delas sempre que teve vontade, mas ainda não havia se apaixonado de verdade. E,
de certa forma, ainda se sentia ligada a Fábian. O sentimento não era o mesmo
de quando se conheceram, mas ainda existia alguma coisa que nem ela sabia
definir.
Clara
tinha acabado de colocar o filho para dormir, quando ouviu a campainha tocar,
estranhou já que não estava a espera de ninguém, mas não conteve o sorriso ao
abrir a porta e dar de cara com sua melhor amiga...
“May, que saudade...” – Elas se abraçam – “O
que você tá fazendo aqui? Quer dizer, eu nem sabia que você estava no Brasil?
Chegou quando?” – Clara estava tão surpresa com a visita que a bombardeava de
perguntas enquanto ainda estavam paradas na porta
“Juro que respondo todas as suas
perguntas, mas antes necessito de um banho a viagem foi longa” – Ela diz e
aponta para as malas que estão aos seus pés.
“Oh mygod, que cabeça a minha...
Vem, entra, deixa eu te ajudar com essas malas” – Clara instalou May no quarto
de hóspedes e enquanto a amiga tomava banho ela foi preparar algo para elas
jantarem.
“Aii Clarinha, acabei de passar no
quarto do pequeno príncipe e como pode? Ele tá ainda mais lindo...” – May fala
empolgada entrando na cozinha.
“Se tivesse chegado meia hora antes
teria pegado ele acordado, aí sim você iria morrer de amores ouvindo ele falar
naquele linguajar só dele hehehe”
“Vou ter todo o tempo do mundo pra ouvi-lo”
“Por falar nisso, porque não avisou
que estava chegando? Eu teria ido te buscar no aeroporto”
“Queria fazer surpresa e já vou
avisando que vou ocupar aquele quarto por muito tempo hahahha”
“Que notícia maravilhosa, mas
espera, cadê o Coyote? Vocês brigaram?” – Clara pergunta preocupada
“Pode ficar tranquila estamos bem, e
logo menos ele vai tá aqui aprontando todas com a gente hahahahaha. Mas me
fala, como tá a faculdade? As festas?
“Que bom May, aqui tá tudo ótimo...
Me formo no final do ano, tô tocando quase todos os finais de semana, o Max se
adaptou super bem a escolinha. Tudo perfeito”
“Fico tão feliz em te ver bem,
Clarinha, mas ainda sinto falta de alguma coisa... E os amores?”
“Sempre tem uns rolos, mas nada a
sério, só curtição...”
“Sempre curtindo, essa é minha
amiga... Sei que já te falei isso milhares de vezes, mas vou repetir só pra não
perder o costume rsrs eu sinto que você ainda vai ser muito feliz, Clarinha...
Feliz de uma forma que você nunca imaginou que poderia ser, e isso não está
longe de acontecer...”
É pelo visto May
chegou para incentivar ainda mais Clara nessa nova fase de sua vida.

7 comentários:
#MayProfeta mano, to amando tipo muito, quando sai o proximo?
Amando!!! No próximo elas se encontram?!
Ja quero o proximo capitulo, to amando :) To embarcando nessa historia !
Mal posso esperar pelo proximo cap
Quando sai o cap 4 ?
Não vai continuar , cade o capítulo 4??
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