Ela me faz tão bem...
E
depois de trocarem mais alguns beijos e risadas, elas finalmente deixam a casa
de Dona Sol rumo a ONG. O caminho de volta não poderia ser melhor. O clima leve
dominava o ambiente e tudo parecia ser motivo de boas gargalhadas. A conversa
fluía com naturalidade. Elas falavam sobre coisas do dia a dia, implicavam uma
com a outra e brincavam com os cães, que pareciam entender o momento e estavam
ainda mais alegres.
Em nenhum momento durante a viagem
de volta elas falaram a respeito do que tinha rolado minutos atrás, agiam como
se nada tivesse acontecido ou, como se o que tivesse acontecido fosse algo
normal e por isso nada precisaria ser debatido. Nem Clara nem Vanessa pareciam
muito preocupadas em falar qualquer coisa que seja, elas só queriam aproveitar
o momento.
“Pronto,
viagem tranquila e meninos em casa” – Clara diz depois que chegam e os cães
entram correndo na casa de Van
“Mais
ou menos tranquila” – Vanessa diz se referindo as peraltices dos seus filhos –
“Agora vou arrumar algumas coisas antes de começar a trabalhar e depois nos
encontramos por aí”
“Tudo
bem, mas antes de sair...” – Clara puxa Vanessa pelo braço colando seus corpos
e avançando em seus lábios. O beijo começa entre risadas, mas logo elas estão
entregues uma a outra – “Agora sim, tenha um bom dia, Doutora” – Clara sai
deixando uma Vanessa ainda zonza pelo beijo roubado
Clara
chegou à clínica distribuindo bom humor e obviamente atraiu ainda mais a
curiosidade de todos, que já especulavam a respeito da amizade íntima e
repentina entre ela e Vanessa. Mas Clara estava feliz demais para se importar
com as indiretas, por isso seguiu para cumprir suas obrigações naquele dia.
Clara verificava a evolução do
quadro clínico de alguns gatinhos, que se recuperavam de cirurgias, quando
percebeu a presença de Ana, sua colega de faculdade, se aproximando.
“Oi
Clarinha” – Ela fala enquanto anota algumas informações na prancheta que
carrega
“E
aí?” – Clara pergunta sem dar muita importância à colega
“Menina, você virou o assunto principal por
aqui...” – Ana olha para os lados se certificando que estavam a sós e cochicha
“Depois
eu que sou a gazeta da facul” – Ela diz com bom humor
“Mas
isso é normal, Clara, tipo se fosse eu no seu lugar aposto que você também
estaria comentando”
“Eu
não ligo, podem falar a vontade” – Ela continua fazendo suas as atividades sem
dar muito importância
“Então
é verdade?”
“O
que, Ana?” – Pergunta já perdendo a paciência
“Que
você e a Vanessa estão tendo um caso” – Fala um pouco mais alto, o que ela não
esperava era que Vanessa estivesse chegando quando ela fala
“Ana
querida, vou falar uma coisa pra você e espero que faça o favor de repassar a
todos. Sempre fiz questão de tratar as pessoas que trabalham comigo como
amigos, mas isso não dar o direito de ficarem especulando sobre a minha vida
pessoal, portanto para que o nosso ambiente de trabalho continue sendo
harmonioso peço que deixem a vida pessoal, seja de quem for, fora da ONG, aqui
dentro só me interessa e também só deve interessar a vocês o que fazemos
enquanto, profissionais. Estamos entendidas?” – Vanessa fala sem se exaltar e
olhando diretamente nos olhos de Ana, que nesse momento estava tão pálida que
ninguém estranharia se ela desmaiasse ali mesmo
“Vanessa,
desculpa... Eu só...” – Ela gaguejava sem saber o que falar
“Não
se preocupe Ana, isso não foi uma bronca ou qualquer coisa do tipo. Entenda
como um pedido a fim de evitarmos situações chatas, ok? Agora vamos focar
nossas energias em quem mais precisa, bom trabalho” – Vanessa saí deixando as
meninas trabalhando
Ana
ainda parecia desnorteada depois de ter sido flagrada em seu momento “TV fama”.
Clara por outro lado tinha sentimentos conflitantes dentro de si. Se sentia
orgulhosa da atitude de Vanessa, afinal ela calou a boca de Ana sem precisar se
alterar ao dar qualquer detalhe de sua vida, é como dizem por aí “ela sambou de salto 15 na cara da Ana”.
Mas por outro lado o fato de Vanessa sequer ter notado a presença dela ali a estava
incomodando, e muito.
Ao que parece Ana atendeu ao pedido
de Vanessa e repassou o recado, pois desde então, Clara não ouviu mais nada. É
bem verdade que ela ainda sentia um olhar ou outro seguindo seus passos, mas
isso não a incomodava. Já Vanessa parecia não se incomodar com nada, como
sempre exercia suas atividades com a atenção e dedicação de sempre.
O dia passou sem mais incidentes, e
logo a tarde se preparava para ceder espaço a noite e Clara já arrumava suas
coisas em seu carro para ir embora. Ela se demorava um pouco numa tentativa de
encontrar com Vanessa, mas isso parecia não acontecer e com medo de se atrasar
ao buscar Max na escola, Clara manda apenas uma mensagem se despedindo
“Topou
a folga ontem, mas hoje deve ter trabalhado em dobro, né? Sumiu o dia todo...
Enfim, já estou indo embora... Boa noite”
Vanessa
estava tão concentrada em seu trabalho que não percebeu o passar das horas, tão
pouco notou que seu celular havia descarregado. Quando saiu de seu escritório,
a lua já dominava e o céu. E foi apenas depois que chegou em casa, tomou um
banho e preparava seu jantar, quando sentiu falta do celular, imediatamente
colocou o aparelho para carregar e o ligou. Dez chamadas perdidas de sua mãe,
algumas outras chamadas perdidas e muitas mensagens no wpp, a de Clara foi a
primeira que ela abriu e logo respondeu
“Hey,
ainda tá acordada? Fiquei trabalhando até tarde e nem me dei conta que estava
sem bateria”
Clara
havia acabado de colocar Max para dormir, quando recebeu a mensagem de Vanessa.
“Tava
colocando o Max pra dormir”
“Atrapalhei?”
“Não,
ele já está dormindo, e que história é essa de trabalhar até tarde? Você ainda
está se recuperando, sabia?”
“Não
foi nada demais, só planejando uma feirinha de adoção para o final do mês”
“Aiiin
adoro feirinha de adoção e o Max também, será que posso levá-lo?”
“Claro,
ele vai amar... E eu também, aliás, você podia trazer ele mais vezes aqui na
ONG”
“Ele
amou todas as vezes que foi me buscar aí, mas agora fica mais difícil porque perdi
minha motorista”
“Cadê
a May, ainda não voltou?”
“Chega
no final de semana”
“E
você vai tocar nesse final de semana?”
“Não,
vou curtir meu filhote”
“Coisa
boa, hein? Bem, agora vou jantar e depois descansar... Boa noite”
“Eu
também vou me preparar para dormir... Boa noite, Van”
Clara
arrumou a bagunça que Max tinha feito na sala enquanto brincava e preparou o
material do filho para o dia seguinte, e fez o mesmo com as suas coisas. Antes
de dormir passou, mais uma vez, no quarto de Max se certificando de que ele
dormia de forma tranquila e só então se recolheu em seu quarto se sentindo
melhor após de ter trocado mensagens com a Vanessa.
Vanessa tentava se concentrar na
leitura de seu livro, mas não conseguia parar de pensar na rápida conversa que
teve com Clara. O fato dela não trabalhar naquele final de semana havia deixado
Vanessa feliz e com ideias, ela só não sabia se teria coragem para colocar as
ideias em prática.
No dia seguinte, Clara e os outros
estagiários ficaram responsáveis por avaliarem quais bichinhos poderiam
participar da feirinha de adoção, logo eles realizaram exames, castraram e
realizaram vários outros procedimentos. Vanessa passou o dia fora, fazendo
contato e começando a divulgar o evento.
Aproveitando que estava próxima a
escola de sua mãe, Vanessa decidiu fazer uma surpresa e convidá-la para um café
da tarde...
“Porque
será que eu tenho certeza que você está precisando conversar, hein filha?” –
Ela diz depois que a garçonete sai levando seus pedidos
“Talvez
o fato de você ser minha mãe e me conhecer como ninguém responda sua pergunta” –
Vanessa segura a mão de Sol por sobre a mesa lhe dando um sorriso
“E
imagino que o assunto deva estar relacionado a esse brilho intenso no seu
olhar, correto?”
“Ai
mãe, não sei o que tá acontecendo comigo”
“Seja
mais clara, filha?”
“Eu
não estou sabendo distinguir alguns sentimentos”
“Você
tá falando da Clara, né?”
“Porque
você acha isso?”
“Eu
te conheço melhor que ninguém, esqueceu? Mas pra ser mais objetiva, desde a
noite que você a conheceu na boate percebo seu interesse por ela”
“Mas
não é isso, mãe... Não é só esse tipo de interesse, entende? Eu gosto da
companhia dela, da conversa..”
“E
qual o problema nisso, Vanessa?”
“Eu
não consigo lidar com esses sentimentos”
“Minha
filha você não tem que lidar com sentimentos, você só precisa senti-los. Se
ficar perto da Clara te faz bem e ela também se sente bem, então ótimo, se
conheçam melhor, saiam, se divirtam e naturalmente as coisas vão se acertando,
mas se permita viver essa amizade que está apenas começando, mas já está te
fazendo tão bem...”
“Oun
mãe, por isso que eu te amo, sabia? Você tem sempre as palavras certas para
cada momento” – Ela apóia os cotovelos na mesa para se aproximar e beijar o
rosto de sua mãe
“E
mãe, estou pensando em fazendo uma reuniãozinha na chácara esse final de
semana, topa almoçar lá conosco no sábado?
“Reuniãozinha?”
“Sim,
só alguns amigos... Bem, a Clara disse que não tocaria esse final de semana e o
Max adora os bichos imaginei que seria uma boa, mas também vou chamar a Thais,
a May e o esposo dela” – Vanessa explica sem conseguir esconder a expectativa
“Então,
pode confirmar minha presença... Não perco essa por nada”
Clara,
estava exausta, aquele dia havia sido bastante agitado. Mais uma vez ela não
tinha encontrado com Vanessa durante todo o dia, e tão pouco ousou perguntar
sobre a ausência dela. E diferente do dia anterior em que tomou a iniciativa e
lhe enviou uma mensagem, dessa vez preferiu esperar.
E não demorou a ter notícias de
Vanessa. Bastou chegar a escola do filho e presenciar uma cena que a fez
esquecer completamente o cansaço. Max estava brincando de cavalinho, e quem era
o cavalo? Isso mesmo, Vanessa. O menino se agarrava ao pescoço dela e
gargalhava a plenos pulmões, enquanto Vanessa tentava andar o mais depressa possível.
“Ela
tem quase 30 anos, acredita?” – Sol para ao lado de Clara, que estava tão
entretida que nem ao menos notou a aproximação
“Não
sei quem tá se divertindo mais” – Clara sorri
“Você
também não fica atrás”
“Não
tem como ficar imune a esses sorrisos”
“mamããã”
– Max finalmente nota a presença da mãe, e Vanessa vem com ele ainda agarrado
ao seu pescoço
“Você
tava brincando, meu amor?” – Clara pergunta já com o filho em seus braços
“Van”
– Ele fala surpreendendo a todos
“Tava
brincando com a Van?” – Clara pergunta
“tavalinho”
– Max fala arrancando risada de todos
“Vem
Max, vamos buscar suas coisas?” – Sol chama o menino querendo deixar as duas a
sós
“Tá
de folga, hoje?” – Clara pergunta rindo
“Folga,
é? Essa é boa... Passei o dia divulgando a feira aí aproveitei que tava aqui
pertinho e passei pra dar um oi pra Dona Sol”
“Hm
e vai dormir na sua mãe?”
“Não,
os meninos estão me esperando em casa, acho que volto depois do jantar”
“E
será que você aceitaria jantar comigo, quer dizer conosco?” – Ela diz olhando Max
que vinha correndo na direção delas arrastando sua mochila
“Convite
aceito” – Vanessa pisca e sorrir para Clara

12 comentários:
Adoro muito essa fic. Gosto da maneira como a história é conduzida!!!
Muito lindo o capítulo!!!! Como sempre!!!!!
Eu estou gostando muito. .vc está sabendo conduzir com bastante sensibilidade. Parabéns. Bjo
Esta muito linda sua Fic mais por favor não demore pra postar o próximo cap já estou ansiosa !!!!!!!!!!!!!
Arrancou sorrisos qdo lia e imaginava as cenas e é legal ver que preserva as características das protagonistas tipo Van pedindo que não se "intrometessem em sua vida pessoal
Amei! Quando sai o próximo capítulo?
Texto leve,mais romântico e ao mesmo tempo a insegurança das duas já aparecerendo,uma estranhando ser ignorada no ambiente de trabalho e Van confusa com que estava sentindo,mas mesmo descobrindo com a ajuda da mãe,programa um almoço "romantico" cheio de gente pra segurar vela,bom demais
Ta liiiiiindo, continua haha
Vai demora pra vc posta o outro ? E como vou pode saber q vc posto ?
O proximo capitulo vai demora a sair !!!
qdo vai postar o cap.14?
ooww pq ce parou de postar? era tão legal,era a unica q eu lia q crl :(
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