“Dias tornaram-se semanas, semanas tornaram-se meses, e então em um dia nada especial, eu fui até minha máquina de escrever, me sentei e escrevi nossa história. Uma história sobre uma época, uma história sobre um lugar, uma história sobre as pessoas. Mas acima de todas as coisas uma história sobre amor. Um amor que viverá para sempre.” (Moulin Rouge)

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quinta-feira, 26 de junho de 2014

CAPÍTULO 12






Ela me faz tão bem...


E depois de trocarem mais alguns beijos e risadas, elas finalmente deixam a casa de Dona Sol rumo a ONG. O caminho de volta não poderia ser melhor. O clima leve dominava o ambiente e tudo parecia ser motivo de boas gargalhadas. A conversa fluía com naturalidade. Elas falavam sobre coisas do dia a dia, implicavam uma com a outra e brincavam com os cães, que pareciam entender o momento e estavam ainda mais alegres.

            Em nenhum momento durante a viagem de volta elas falaram a respeito do que tinha rolado minutos atrás, agiam como se nada tivesse acontecido ou, como se o que tivesse acontecido fosse algo normal e por isso nada precisaria ser debatido. Nem Clara nem Vanessa pareciam muito preocupadas em falar qualquer coisa que seja, elas só queriam aproveitar o momento.

            “Pronto, viagem tranquila e meninos em casa” – Clara diz depois que chegam e os cães entram correndo na casa de Van

            “Mais ou menos tranquila” – Vanessa diz se referindo as peraltices dos seus filhos – “Agora vou arrumar algumas coisas antes de começar a trabalhar e depois nos encontramos por aí”

            “Tudo bem, mas antes de sair...” – Clara puxa Vanessa pelo braço colando seus corpos e avançando em seus lábios. O beijo começa entre risadas, mas logo elas estão entregues uma a outra – “Agora sim, tenha um bom dia, Doutora” – Clara sai deixando uma Vanessa ainda zonza pelo beijo roubado

            Clara chegou à clínica distribuindo bom humor e obviamente atraiu ainda mais a curiosidade de todos, que já especulavam a respeito da amizade íntima e repentina entre ela e Vanessa. Mas Clara estava feliz demais para se importar com as indiretas, por isso seguiu para cumprir suas obrigações naquele dia.

            Clara verificava a evolução do quadro clínico de alguns gatinhos, que se recuperavam de cirurgias, quando percebeu a presença de Ana, sua colega de faculdade, se aproximando.

            “Oi Clarinha” – Ela fala enquanto anota algumas informações na prancheta que carrega

            “E aí?” – Clara pergunta sem dar muita importância à colega

             “Menina, você virou o assunto principal por aqui...” – Ana olha para os lados se certificando que estavam a sós e cochicha
 
            “Depois eu que sou a gazeta da facul” – Ela diz com bom humor

            “Mas isso é normal, Clara, tipo se fosse eu no seu lugar aposto que você também estaria comentando”

            “Eu não ligo, podem falar a vontade” – Ela continua fazendo suas as atividades sem dar muito importância 

            “Então é verdade?”

            “O que, Ana?” – Pergunta já perdendo a paciência

            “Que você e a Vanessa estão tendo um caso” – Fala um pouco mais alto, o que ela não esperava era que Vanessa estivesse chegando quando ela fala

            “Ana querida, vou falar uma coisa pra você e espero que faça o favor de repassar a todos. Sempre fiz questão de tratar as pessoas que trabalham comigo como amigos, mas isso não dar o direito de ficarem especulando sobre a minha vida pessoal, portanto para que o nosso ambiente de trabalho continue sendo harmonioso peço que deixem a vida pessoal, seja de quem for, fora da ONG, aqui dentro só me interessa e também só deve interessar a vocês o que fazemos enquanto, profissionais. Estamos entendidas?” – Vanessa fala sem se exaltar e olhando diretamente nos olhos de Ana, que nesse momento estava tão pálida que ninguém estranharia se ela desmaiasse ali mesmo

            “Vanessa, desculpa... Eu só...” – Ela gaguejava sem saber o que falar

            “Não se preocupe Ana, isso não foi uma bronca ou qualquer coisa do tipo. Entenda como um pedido a fim de evitarmos situações chatas, ok? Agora vamos focar nossas energias em quem mais precisa, bom trabalho” – Vanessa saí deixando as meninas trabalhando

            Ana ainda parecia desnorteada depois de ter sido flagrada em seu momento “TV fama”. Clara por outro lado tinha sentimentos conflitantes dentro de si. Se sentia orgulhosa da atitude de Vanessa, afinal ela calou a boca de Ana sem precisar se alterar ao dar qualquer detalhe de sua vida, é como dizem por aí “ela sambou de salto 15 na cara da Ana”. Mas por outro lado o fato de Vanessa sequer ter notado a presença dela ali a estava incomodando, e muito.

            Ao que parece Ana atendeu ao pedido de Vanessa e repassou o recado, pois desde então, Clara não ouviu mais nada. É bem verdade que ela ainda sentia um olhar ou outro seguindo seus passos, mas isso não a incomodava. Já Vanessa parecia não se incomodar com nada, como sempre exercia suas atividades com a atenção e dedicação de sempre.

            O dia passou sem mais incidentes, e logo a tarde se preparava para ceder espaço a noite e Clara já arrumava suas coisas em seu carro para ir embora. Ela se demorava um pouco numa tentativa de encontrar com Vanessa, mas isso parecia não acontecer e com medo de se atrasar ao buscar Max na escola, Clara manda apenas uma mensagem se despedindo

            “Topou a folga ontem, mas hoje deve ter trabalhado em dobro, né? Sumiu o dia todo... Enfim, já estou indo embora... Boa noite”
 
            Vanessa estava tão concentrada em seu trabalho que não percebeu o passar das horas, tão pouco notou que seu celular havia descarregado. Quando saiu de seu escritório, a lua já dominava e o céu. E foi apenas depois que chegou em casa, tomou um banho e preparava seu jantar, quando sentiu falta do celular, imediatamente colocou o aparelho para carregar e o ligou. Dez chamadas perdidas de sua mãe, algumas outras chamadas perdidas e muitas mensagens no wpp, a de Clara foi a primeira que ela abriu e logo respondeu

            “Hey, ainda tá acordada? Fiquei trabalhando até tarde e nem me dei conta que estava sem bateria”

            Clara havia acabado de colocar Max para dormir, quando recebeu a mensagem de Vanessa.

            “Tava colocando o Max pra dormir”

            “Atrapalhei?”

            “Não, ele já está dormindo, e que história é essa de trabalhar até tarde? Você ainda está se recuperando, sabia?”

            “Não foi nada demais, só planejando uma feirinha de adoção para o final do mês”

            “Aiiin adoro feirinha de adoção e o Max também, será que posso levá-lo?”

            “Claro, ele vai amar... E eu também, aliás, você podia trazer ele mais vezes aqui na ONG”

            “Ele amou todas as vezes que foi me buscar aí, mas agora fica mais difícil porque perdi minha motorista”

            “Cadê a May, ainda não voltou?”

            “Chega no final de semana”

            “E você vai tocar nesse final de semana?”

            “Não, vou curtir meu filhote”

            “Coisa boa, hein? Bem, agora vou jantar e depois descansar... Boa noite”

            “Eu também vou me preparar para dormir... Boa noite, Van”

            Clara arrumou a bagunça que Max tinha feito na sala enquanto brincava e preparou o material do filho para o dia seguinte, e fez o mesmo com as suas coisas. Antes de dormir passou, mais uma vez, no quarto de Max se certificando de que ele dormia de forma tranquila e só então se recolheu em seu quarto se sentindo melhor após de ter trocado mensagens com a Vanessa. 

            Vanessa tentava se concentrar na leitura de seu livro, mas não conseguia parar de pensar na rápida conversa que teve com Clara. O fato dela não trabalhar naquele final de semana havia deixado Vanessa feliz e com ideias, ela só não sabia se teria coragem para colocar as ideias em prática.

            No dia seguinte, Clara e os outros estagiários ficaram responsáveis por avaliarem quais bichinhos poderiam participar da feirinha de adoção, logo eles realizaram exames, castraram e realizaram vários outros procedimentos. Vanessa passou o dia fora, fazendo contato e começando a divulgar o evento.

            Aproveitando que estava próxima a escola de sua mãe, Vanessa decidiu fazer uma surpresa e convidá-la para um café da tarde...

            “Porque será que eu tenho certeza que você está precisando conversar, hein filha?” – Ela diz depois que a garçonete sai levando seus pedidos

            “Talvez o fato de você ser minha mãe e me conhecer como ninguém responda sua pergunta” – Vanessa segura a mão de Sol por sobre a mesa lhe dando um sorriso

            “E imagino que o assunto deva estar relacionado a esse brilho intenso no seu olhar, correto?”

            “Ai mãe, não sei o que tá acontecendo comigo”

            “Seja mais clara, filha?”

            “Eu não estou sabendo distinguir alguns sentimentos”

            “Você tá falando da Clara, né?”

            “Porque você acha isso?”

            “Eu te conheço melhor que ninguém, esqueceu? Mas pra ser mais objetiva, desde a noite que você a conheceu na boate percebo seu interesse por ela”

            “Mas não é isso, mãe... Não é só esse tipo de interesse, entende? Eu gosto da companhia dela, da conversa..”

            “E qual o problema nisso, Vanessa?”

            “Eu não consigo lidar com esses sentimentos”

            “Minha filha você não tem que lidar com sentimentos, você só precisa senti-los. Se ficar perto da Clara te faz bem e ela também se sente bem, então ótimo, se conheçam melhor, saiam, se divirtam e naturalmente as coisas vão se acertando, mas se permita viver essa amizade que está apenas começando, mas já está te fazendo tão bem...”

            “Oun mãe, por isso que eu te amo, sabia? Você tem sempre as palavras certas para cada momento” – Ela apóia os cotovelos na mesa para se aproximar e beijar o rosto de sua mãe

            “E mãe, estou pensando em fazendo uma reuniãozinha na chácara esse final de semana, topa almoçar lá conosco no sábado?

            “Reuniãozinha?”

            “Sim, só alguns amigos... Bem, a Clara disse que não tocaria esse final de semana e o Max adora os bichos imaginei que seria uma boa, mas também vou chamar a Thais, a May e o esposo dela” – Vanessa explica sem conseguir esconder a expectativa

            “Então, pode confirmar minha presença... Não perco essa por nada”

            Clara, estava exausta, aquele dia havia sido bastante agitado. Mais uma vez ela não tinha encontrado com Vanessa durante todo o dia, e tão pouco ousou perguntar sobre a ausência dela. E diferente do dia anterior em que tomou a iniciativa e lhe enviou uma mensagem, dessa vez preferiu esperar.

            E não demorou a ter notícias de Vanessa. Bastou chegar a escola do filho e presenciar uma cena que a fez esquecer completamente o cansaço. Max estava brincando de cavalinho, e quem era o cavalo? Isso mesmo, Vanessa. O menino se agarrava ao pescoço dela e gargalhava a plenos pulmões, enquanto Vanessa tentava andar o mais depressa possível.

            “Ela tem quase 30 anos, acredita?” – Sol para ao lado de Clara, que estava tão entretida que nem ao menos notou a aproximação 

            “Não sei quem tá se divertindo mais” – Clara sorri

            “Você também não fica atrás”

            “Não tem como ficar imune a esses sorrisos”

            “mamããã” – Max finalmente nota a presença da mãe, e Vanessa vem com ele ainda agarrado ao seu pescoço

            “Você tava brincando, meu amor?” – Clara pergunta já com o filho em seus braços

            “Van” – Ele fala surpreendendo a todos

            “Tava brincando com a Van?” – Clara pergunta

            “tavalinho” – Max fala arrancando risada de todos

            “Vem Max, vamos buscar suas coisas?” – Sol chama o menino querendo deixar as duas a sós
            “Tá de folga, hoje?” – Clara pergunta rindo

            “Folga, é? Essa é boa... Passei o dia divulgando a feira aí aproveitei que tava aqui pertinho e passei pra dar um oi pra Dona Sol”

            “Hm e vai dormir na sua mãe?”

            “Não, os meninos estão me esperando em casa, acho que volto depois do jantar”

            “E será que você aceitaria jantar comigo, quer dizer conosco?” – Ela diz olhando Max que vinha correndo na direção delas arrastando sua mochila

            “Convite aceito” – Vanessa pisca e sorrir para Clara
 

12 comentários:

Anônimo disse...

Adoro muito essa fic. Gosto da maneira como a história é conduzida!!!

Anônimo disse...

Muito lindo o capítulo!!!! Como sempre!!!!!

Marcia disse...

Eu estou gostando muito. .vc está sabendo conduzir com bastante sensibilidade. Parabéns. Bjo

Anônimo disse...

Esta muito linda sua Fic mais por favor não demore pra postar o próximo cap já estou ansiosa !!!!!!!!!!!!!

Anônimo disse...

Arrancou sorrisos qdo lia e imaginava as cenas e é legal ver que preserva as características das protagonistas tipo Van pedindo que não se "intrometessem em sua vida pessoal

Unknown disse...

Amei! Quando sai o próximo capítulo?

Anônimo disse...

Texto leve,mais romântico e ao mesmo tempo a insegurança das duas já aparecerendo,uma estranhando ser ignorada no ambiente de trabalho e Van confusa com que estava sentindo,mas mesmo descobrindo com a ajuda da mãe,programa um almoço "romantico" cheio de gente pra segurar vela,bom demais

Unknown disse...

Ta liiiiiindo, continua haha

Anônimo disse...

Vai demora pra vc posta o outro ? E como vou pode saber q vc posto ?

Anônimo disse...

O proximo capitulo vai demora a sair !!!

Unknown disse...

qdo vai postar o cap.14?

Unknown disse...

ooww pq ce parou de postar? era tão legal,era a unica q eu lia q crl :(

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