“Dias tornaram-se semanas, semanas tornaram-se meses, e então em um dia nada especial, eu fui até minha máquina de escrever, me sentei e escrevi nossa história. Uma história sobre uma época, uma história sobre um lugar, uma história sobre as pessoas. Mas acima de todas as coisas uma história sobre amor. Um amor que viverá para sempre.” (Moulin Rouge)

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terça-feira, 27 de agosto de 2013

CAPÍTULO 1

Someone Like You

"Quando Bate a Saudade... Eu Fecho os Meus Olhos, Me Vem o Teu Rosto..."

         E é sempre assim, depois de mais um dia de trabalho, chego em casa e a minha armadura some. Todas as minhas fraquezas, todos os sentimentos que insisto em guardar apenas pra mim, vem à tona com uma intensidade cada vez maior.

           Checo a secretária eletrônica e os recados de sempre estão lá, até isso já virou rotina, minha mãe preguntando como foi meu dia, se me alimentei direito, são sempre as mesmas preocupações, algumas amigas convidando pra sair, me pergunto como elas ainda não desistiram já que sempre arranjo uma desculpa qualquer e nunca as acompanho. 

Depois de ouvir os recados e falar com a minha mãe, decido tomar um banho. Preparo a banheira, pego uma taça de vinho, meu ipod e vou tentar relaxar. Os pensamentos e as lembranças surgem sem a minha autorização. Lembranças de um tempo em que eu vivia rodeada de amigos, e de um em especial. Aquele que conseguia quebrar as barreiras que eu impunha, que me tirava sorrisos sinceros e que me roubava abraços e beijos.

E as sensações já tão conhecidas ao meu corpo aparecem, uma vontade enorme de chorar, mas as lágrimas não saem, causando um aperto no coração e um nó na garganta. Acho que as escondi e as contive por tanto tempo, que hoje elas simplesmente não existem mais. E isso dar uma sensação de dor ainda maior, é como se não tivesse uma forma de me livrar dessa dor, como se não fosse dado a mim a opção de externar o meu sofrimento, uma punição.

Terminei o banho e fui procurar algo pra jantar, eu até consigo me virar na cozinha, mas normalmente chego tão cansada que prefiro fazer um lanche. E enquanto eu pensava no que preparar, ouço o toque do celular...

[Carol] Já jantou? – ela nem esperou que eu a cumprimentasse e já foi perguntando

[Ana] Na verdade eu ia começar a fazer alguma coisa agora..

[Carol] Pois relaxa aí, que vou levar sushi pra jantarmos, tô chegando daqui a 20 minutinhos

            A Carol é minha amiga desde a infância, e nossa amizade cresceu ainda mais quando viemos fazer faculdade no Rio de Janeiro. Saímos de Minas Gerais loucas por independência, e durante toda a faculdade, eu cursei jornalismo e ela moda, dividimos um ap. Depois de formadas cada uma foi para o seu próprio cantinho, mas ainda somos muito próximas, até porque moramos no mesmo prédio.

            Jogo umas almofadas sobre o tapete da sala e arrumo a mesinha para jantarmo ali, ligo o som e não demora muito, ouço a campainha tocar. Ela carrega várias sacolas, a ajudo... 

[Carol] Tá lembrada de amanhã, né? – nem na hora da refeição ela consegue ficar calada

[Ana] E por acaso eu já esqueci o seu aniversário alguma vez?

[Carol] Já, várias. Só não fico chateada porque não se pode cobrar muita coisa de alguém que esquece o próprio aniversário – é inevitável, eu não consigo guardar essas datas...

[Ana] Mas sério Carol, nem se eu quisesse conseguiria esquecer teu níver, toda noite tu bate aqui só pra me lembrar hahahahaha

[Carol] Tu não vai furar né?

[Ana] Como se tu tá querendo me obrigar a ir segurando vela pra ti e pro Gustavo?

[Carol] Eu te conheço desde sempre, Ana Beatriz. Se não for logo comigo, é capaz de arranjar uma desculpa qualquer pra não ir ao barzinho...

[Ana] Na boa, cadê o Gustavo? Tu tá muito chata

[Carol] Por falar nisso, como é que tá teu lance com o Erick?

[Ana] Não tem mais lance – corto o assunto

[Carol] Como assim? Ele disse ao Gustavo que estava pensando em te pedir em namoro – por isso mesmo não tem mais lance

[Ana] E porque tu não me falou nada?

[Carol] Não acredito, tu terminou com ele por isso? – o meu silêncio já responde a pergunta dela - Anos de amizade e ainda não consigo te entender...

[Ana] Você entende, só não aceita!

[Carol] Vou logo avisando, Ele já confirmou que vai amanhã, mas relaxe a sonsa não vai... - ELE! Não precisa nem dizer quem é esse Ele.

[Ana] Ok.

[Carol] Vocês não se falaram mais? – ela sabe que não

[Ana] Não

[Carol] Qual é Aninha, me conta o que rolou vai... 

[Ana] Você sabe tudo o que rolou, Carol

[Carol] Mas não consigo entender, durante anos vocês não se desgrudavam, tudo bem que não assumiram o lance de vocês pra geral, mas era tão óbvio que nem precisava e ninguém acreditava quando vocês negavam que tinham alguma coisa, daí do nada começaram a se afastar, até deixarem de se falar completamente e aí ele aparecer com a sonsa... Faz quanto tempo que vocês não se falam?

[Ana] Você sabe, Carol. A última vez que nos falamos foi há dois anos atrás quando nos encontramos naquela festa e ele falou que estava namorando, seis meses depois de todas vocês me contarem – covarde, falou pra todas as nossas amigas porque não tinha coragem de me contar.

[Carol] Vocês deviam sentar e conversar, deixar essa história mal resolvida não tá fazendo bem a ninguém...

[Ana] Ele está namorando há mais de dois anos, não me parece que esteja achando ruim

[Carol] Se vocês não sentem mais nada um pelo outro, porque não se falam? Porque evitam os encontros? Ou você acha que ninguém percebe que nos nossos encontros é sempre assim quando um está o outro não está..

[Ana] O que eu acho é que tá passando da hora de você ir pro seu apartamento e me deixar dormir...

[Carol] Fugindo como sempre e ainda por cima é mal agradecida, trouxe sushi e você me expulsa sem cerimônia, é isso aêw – tão dramática

[Ana] Sem drama, please hahahahahaha

[Carol] Amanhã passo aqui pra irmos ao salão – salão? – E não me olhe desse jeito, depois de todo esse tempo sem se verem você tem que deixar Ele BA BAN DO hahahahaha

[Ana] Você não vai mudar nunca – lhe dou um abraço e a acompanho até a porta onde nos despedimos.

            Enquanto arrumo a bagunça que fizemos na sala, fico lembrando das várias histórias que vivemos na época da faculdade. Nossa adaptação a nova cidade foi rápida, o prédio que morávamos era quase uma república, pois a maioria dos moradores eram estudantes também, muitos vindo de outros estados e alguns do Rio mesmo que junto a outros amigos buscavam a independência e dividiam o apartamento.

            Foi assim que conhecemos o que seria um grupo de grandes amigos. Ele era nosso vizinho, dividia o apartamento com a irmã gêmea, a Raissa, eles moravam em Paraty e mudaram para o Rio também por causa da faculdade. E foi amizade a primeira vista hahaha. 

            Se eu tivesse o poder de voltar no tempo sem dúvida que a primeira coisa que faria seria reviver um dia daquela época. Os dias de cinema em casa, as noites de violão, cerveja e pizza, as viagens nos feriados. Passávamos tanto tempo juntos que já não sabíamos qual era o apartamento de cada um. 

            Mas desde que eu e Ele nos afastamos o grupo também foi se desfazendo. A Carol ainda fala com todos e ela sempre fica triste porque nunca vou a reuniões que ele promove pra encontrar toda a turma, mas no fundo ela entende que eu não me sentiria bem. Além de não estar falando com Ele, a Raissa tomou as dores do irmão e também se afastou de mim. Lembro de uma vez antes Dele começar a namorar, estávamos todos juntos, mas já não era a mesma coisa, eu e Ele não estávamos mais tão próximos, e a Raissa, bêbada, me acusou de uma série de coisas por estar magoando seu irmão. E a partir daquele dia as estruturas do grupo foram abaladas.

            Quem sabe esse aniversário da Carol não seja uma excelente oportunidade de refazer os laços, afinal vão-se os amores, ficam os amigos... Só esqueci que no meu caso o amor é justamente meu melhor amigo!

Escrita por: @MahStewart1

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