“Dias tornaram-se semanas, semanas tornaram-se meses, e então em um dia nada especial, eu fui até minha máquina de escrever, me sentei e escrevi nossa história. Uma história sobre uma época, uma história sobre um lugar, uma história sobre as pessoas. Mas acima de todas as coisas uma história sobre amor. Um amor que viverá para sempre.” (Moulin Rouge)

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quinta-feira, 29 de agosto de 2013

CAPÍTULO 3

Someone Like You

"Nos Teus Braços É o Meu Lugar..."

         Quase três horas da madrugada de domingo e eu estou no supermercado comprando bebida. Eu queria ter ido no carro com o Pedro pra não ficar de vela de novo, mas a Carol disse que eu acabaria o convencendo a me deixar em casa, por isso tive que ir com ela mesmo.
         Eu já conhecia a casa do Pedro porque ele sempre empresta para as festinhas da revista que trabalhamos. É uma casa muito bonita, dois andares, piscina. Foi um presente dos pais dele, no começo ele quis vender porque é muito grande para ele morar sozinho, mas no final viu que o melhor era ficar com ela.
            Assim que chegamos o Pedro ofereceu umas bermudas para os meninos e eles foram logo para o deck preparar uns bons drinks. E só agora me dei conta que estamos em “casais”, Carol e Gustavo, Pedro e Raissa e Eu e o Raul. Vou ficar uma semana sem falar com a Carol por me fazer passar por essa situação.

[Carol] Olha só meninas, vou aproveitar que já estou meio bêbada pra falar umas verdades pra vocês – ok, vai dar merda antes do que eu previa – Raissa seu irmão já é bem grandinho e não precisa que você o defenda muito menos que tome suas dores. Todos nós sabemos que ele não foi o único que saiu machucado dessa relação, e sabemos também que a “culpada” foi a Aninha – nossa, muito obrigada MELHOR AMIGA – mas ele já seguiu a vida dele, não tem porque você ficar sem falar com a Ana, vocês sempre se deram tão bem, eu confesso que ás vezes morria de ciúme, mas fazer o que né?! – essa minha amiga é uma figura
[Raissa] Se tivesse sido o contrário, se o Raul tivesse terminado tudo com a Ana da forma como ela fez, aposto que você também tomaria as dores dela – é, ela tem razão – Se você não queria aceitar o pedido de noivado dele, era só ter negado, não precisava terminar o namoro.
[Carol] É mesmo, Aninha concordo com ela.
[Ana] Eu realmente não queria ter perdido a sua amizade, muito menos a do Raul, mas entendo perfeitamente a posição de vocês.
[Raissa] Você não se arrepende do que fez? Não pensa como seria se vocês ainda estivessem juntos? – todos os dias, é a resposta certa para as duas perguntas.
[Ana] Eu escolhi um caminho preciso arcar com as consequências das minhas escolhas.
[Raissa] Que merda, Ana! Eu te conheço sei que você não é essa pessoa indiferente a tudo e a todos..

            A Carol ia se meter e responder, mas ela se calou quando eu a olhei séria.

[Ana] Entenda Raissa, o que eu fiz não tem mais volta. O que eu posso, e vou fazer é assumir e me desculpar por ter o feito sofrer.
[Carol] Você acha que ele ama a sonsa? – a Carol bêbada é tão direta.
[Raissa] Tenho minhas dúvidas, mas o fato é que ela quer casar com ele.
[Ana] Hãm? Como assim?
[Raissa] Que raiva de ti, sério! Tá na cara que tu ainda gosta dele e fica se fazendo de indiferente. E é isso mesmo que você ouviu, ela passou num concurso federal e vai ter que se mudar, por isso tá querendo casar pra ele ir morar com ela – game over pra mim.
[Carol] Amiga você precisa fazer alguma coisa, se ele casar acabou de uma vez por todas a história de vocês – ela fala atropelando as palavras.
[Ana] Não surta, Carol. Nossa história terminou faz tempo.
[Raissa] Será mesmo que terminou? Hoje, por exemplo, ele ficou puto quando chegamos ao barzinho e te viu com o Pedro.
[Carol] Já sei, vamos fazer um teste. Ciúme já sabemos que ele ainda tem, agora vamos ver se ele ainda te deseja..
[Ana] Oi? Chega de bebida por hoje, Carol. Você só pode tá louca.
[Raissa] Eu gostei da ideia, você o provoca pra ver qual é a reação dele – essas gurias tão loucas.
[Ana] De jeito nenhum, sem chance.
[Raissa] Achei que você quisesse ser desculpada – a olho, indignada, como pode ser tão chantagista? – qual é, Ana? Você não precisa se jogar em cima dele, só aja naturalmente como se vocês ainda fossem velhos amigos... A não ser que você esteja namorando...
[Carol] Ela tá solteira
[Ana] Gente isso não vai dar certo, e se ele ficar chateado?
[Raissa] Eu assumo a responsabilidade, vamos logo – ela diz levantando
[Ana] Vamos pra onde?
[Raissa] Pra piscina, oras – ela diz já jogando a blusa sobre as cadeiras.

             Eu ia começar tirando o salto, mas lembrei que ele adorava me ver de salto, não acredito que tô fazendo isso. Viro de costas para Ele, e devagar vou subindo a minha blusa, que vergonha! Não que ele nunca tivesse me visto assim, o problema é o porque estou fazendo isso, mas confesso que isso também tá mexendo com o meu ego. Depois que nos despimos pulamos na piscina. As meninas garantiram que ele deu aquela olhada básica, mas acabei desencanando disso.
            A Raissa nos contava como havia sido sua temporada em São Paulo e acabou revelando que havia se encontrado algumas vezes com a minha mãe, fiquei chocada já que nunca soube desses encontros. E contou ainda que o motivo da sua volta foi porque o Raul e um amigo estão abrindo uma construtora, ele é engenheiro, e ela como arquiteta veio para trabalhar com eles.  
            Estávamos aproveitando para colocar a conversa em dia, afinal há dois anos não ficávamos assim, as três. Mas logo o Pedro e o Gustavo resolveram entrar na piscina e pegação começou, falta de respeito. Eu ia saindo quando a Carol pulou nos meus ombros e ficou me agarrando, nessa brincadeira levei uma cotovelada no nariz...

[Ana] Para sua louca, meu nariz tá sangrando – sento na borda da piscina, aperto o nariz e baixo a cabeça numa tentativa frustrada de estancar o sangramento...
[Carol] Aiin amiga desculpa, deixa eu te ajudar – ela tentava sair da piscina, mas já estava tão bêbada que não conseguia, o que tornava a cena muito engraçada
[Ana] Você tá precisando de mais ajuda que eu, deixa que eu me viro – fico de pé, e logo sinto um braço rodeando minha cintura me oferecendo apoio.
[Raul] Vem, deixa que eu cuido disso.. – ótimo, agora ele realmente vai se sentir muito atraído por uma mulher toda molhada jorrando sangue pelo nariz.
[Pedro] Deixei umas toalhas na sala, sobe lá no meu quarto e pega uma camisa minha pra ela, cara – putz, só agora me dei conta que tô vestindo apenas uma lingerie branca, que nesse momento tá mais pra transparente.
[Raul] Não precisa, pega veste a minha tá frio aqui – rapidamente visto a blusa e é inevitável não abri um sorriso ao sentir o seu cheiro.

            Coloquei uma pedra de gelo na boca, segundo o Raul ajuda a estancar o sangue, fui a pia lavei o rosto e fiquei pressionando o nariz, o fluxo já tava diminuído graças a deus, que mico!

[Raul] Você e essa atração por situações desastrosas – ele fala bem próximo ao meu rosto, limpando meu rosto com algodão.
[Ana] Minha amiga, bêbada, me acerta uma cotovelada e a culpa é minha?
[Raul] hahahahahahaha acho que já estancou
[Ana] Acho que sim, obrigada pela ajuda... – levanto na intenção de volta para o deck, mas ele me segura.
[Raul] Quer mesmo voltar pra lá? – ele aponta com a cabeça, os casais estavam na maior agarração na piscina – Se ainda quiser ter aquela conversa, acho que essa seria uma boa oportunidade.

            Na verdade eu preferia ter essa conversa sem nada de álcool no sangue e sem ter o cheiro dele impregnado ao meu corpo, mas tudo bem é melhor resolvermos logo essa situação.

[Ana] Bom, primeiro quero te pedir desculpas, nunca tive a intenção de te causar qualquer tipo de sofrimento...
[Raul] Não acha que eu mereço mais que um pedido de desculpa? Eu só preciso entender o que aconteceu... Nós estávamos bem, te pedir em noivado você não aceitou e não quis dar nenhuma explicação, começou a me esnobar a fugir de mim e do nada terminou o namoro. Não consigo entender...
[Ana] Pra que voltar nesse assunto? Você já seguiu sua vida. Não dar só pra me desculpar e voltarmos a sermos amigos, pelo menos?
[Raul] Mas foi você quem pediu pra conversamos e resolvermos o que ficou mal entendido...
[Ana] Eu só queria ficar numa boa... – baixo a cabeça sentindo uma dorzinha, provavelmente por conta do sangramento.
[Raul] Tudo bem, relaxe. Só me prometa que um dia, quando estiver a vontade, você irá me contar o aconteceu, ok? – ele passa a mão nos meus cabelos, como senti falta desses carinhos
[Ana] Ok.

            Ficamos nos encarando por alguns segundos até ele tomar a inciativa e me abraçar, ficamos assim por alguns minutos. E de repente a sensação de paz tomou conta de mim. Sabe quando você tem um dia infernal, onde tudo dar errado, e quando você chega em casa sente uma alívio? Pois é assim que estou me sentindo, como se todo o sofrimento desses dois anos tivessem desaparecido e agora sinto apenas o calor e o conforto de um abraço tão conhecido do meu corpo. E agora que voltei a sentir isso, tenho, ainda mais, certeza que não quero abrir mão dessa sensação em minha vida.

Escrita por: @MahStewart1

8 comentários:

Anônimo disse...

Amando, tomara que Ana de uma chance pra si mesma.

Anônimo disse...

"Eu escolhi um caminho e tenho que arcar com minhas escolhas." Me lembrei que vc já postou essa frase, mas espero que não representa a autora de fato essa história, pq aí se torna triste, porém sempre na torcida por um final feliz.

Mah Stewart disse...

MORTA que vocês lembram de coisas que tweetei há tanto tempo, mas essa frase pode se aplicar a situações diversas hahahahaha

Adoro quando vocês comentam aqui no blog, podem fazer isso sempre, ok? ;)

E aguardem que na segunda a FIC volta com tudo!!!

Anônimo disse...

Fico esperando ansiosamente pelos capitulos. Cada dia mais interessante e supreendente. PARABÉNS

Anônimo disse...

" Cada escolha, uma consequência "

Anônimo disse...

Cadê mais capítulos da Fic?

Mah Stewart disse...

Estive ausente, mas farei o possível pra postar o Cap 4 amanhã ;)

Anônimo disse...

A melhor notícia, novo capítulo a vista e provavelmente mais sentimental do que nunca.Reli os 3 pra matar saudade de seus textos

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