“Dias tornaram-se semanas, semanas tornaram-se meses, e então em um dia nada especial, eu fui até minha máquina de escrever, me sentei e escrevi nossa história. Uma história sobre uma época, uma história sobre um lugar, uma história sobre as pessoas. Mas acima de todas as coisas uma história sobre amor. Um amor que viverá para sempre.” (Moulin Rouge)

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domingo, 6 de outubro de 2013

CAPÍTULO 05

Someone Like You

"This kiss is something I can't resist, Your lips are undeniable..."

             Adoro o meu trabalho, mas tem dias que eu me pego pensando como seria se tivesse escolhido uma profissão mais tranquila, sem tantas cobranças, mas logo depois me dou conta e esse trabalho dos sonhos não existe e que eu ainda tenho sorte de fazer o que mais amo. Portanto, a melhor solução para esses dias estressantes é sentar numa mesa de barzinho reunir os amigos e pedir uma cerveja bem gelada pra exorcizar os problemas.
            Já pela manhã eu sabia que o dia não seria fácil, então na hora almoço liguei logo para a Carol combinando um happy hour, ela ficou me zoando por ser eu a convidando para sair e não o contrário, mas festeira como é foi logo aceitando e dizendo que chamaria o Gustavo e o Guilherme, eu chamei a Raissa, mas ela já tinha um programa a dois com o Pedro, aliás, esses dois já podiam assumir logo esse namoro.
            Acho que a notícia de que a viagem do Raul estava mais próxima contribuiu, e muito, para o meu mau humor. Mas enfim, esse casamento já é praticamente fato consumado, então mais do que nunca preciso desencanar de vez dessa história e partir para outra, quem sabe o Gui não possa me ajudar nessa missão, afinal adoro a companhia dele e temos bastante química.
            Era disso que eu estava precisando amigos, música e cerveja a combinação mais que perfeita. O barzinho estava lotado. Os burburinhos e as risadas tomavam conta do lugar assim como as notas tiradas pela viola e o pandeiro do grupo de samba que tocava ao vivo. Todo mundo parecia querer esquecer os problemas do dia a dia e curtir o final de noite se divertindo e paquerando. E não era diferente para o meu grupo de amigos.
[Guilherme] Dia difícil? – ele pergunta ao notar como o meu pescoço está tenso, enquanto faz uma leve massagem e distribui alguns beijinhos.
[Ana] Muito – digo num sussurro, aproveitando as mãos fortes dele. Mas logo o momento é interrompido pelo meu celular...
Droga é o Raul, não quero atender, mas pode ser alguma coisa com a Raissa, vou atender...
[Ana] Alô – levanto pedindo desculpa ao Gui e saiu a procura de um local menos barulhento
[Raul] Onde você tá, que barulheira é essa? – oi? Tá querendo saber de mais não acha? Penso, nervosa. – Desculpa, isso não é da minha conta, só liguei porque estou precisando conversar contigo...
[Ana] Não, tudo bem, só estou num happy hour com a Carol, você queria conversar agora?
[Raul] Será que eu posso passar na tua casa daqui umas duas horas, talvez? – Na minha casa? Nossa a conversa deve ser séria..
[Ana] Aconteceu alguma coisa?
[Raul] Não, é só algo que precisamos conversar mesmo – Isso não vai dar certo, mas enfim, vamos lá..
[Ana] Ok, pode passar lá em casa.
[Carol] O que ele queria? – que susto! Ela estava atrás de mim, mas pera como ela sabia com quem eu estava falando?
[Ana] Ele? - me faço de desentendida
[Carol] Não me enrola, Ana Beatriz o Guilherme viu que era o Raul – que fofoqueiro.
[Ana] Ele queria passar lá em casa para conversarmos
[Carol] E?
[Ana] E o que Carol?
[Carol] Não me irrita, Ana
[Ana] Daqui duas horas ele vai passar lá, e antes que você continue o interrogatório não sei do que se trata a conversa, agora será que podemos voltar para a mesa?
            Eu tentava disfarçar, mas não estava me aguentando de tanta ansiedade pra saber o que o Raul queria tanto conversar comigo que não poderia esperar pelo outro dia. Achei melhor parar de beber, já é difícil me controlar quando estou sóbria, imagina estando alterada pelo álcool e a sós no meu apartamento com ele? É melhor prevenir.
            Ainda fiquei um tempo com eles no barzinho, mas achei por bem ir logo pra casa, queria tomar um banho para relaxar e diminuir essa ansiedade...
[Ana] O encontro foi ótimo, mas preciso ir agora – já fui logo levantando.
[Guilherme] Espera, tá de carro?
[Ana] Não, mas tem táxi aí na porta, não precisa se preocupar...
[Guilherme] Faço questão de te acompanhar – ele jogou o dinheiro para o Gustavo e já foi me conduzindo até a entrada, onde pediu que buscassem seu carro.
[Ana] Gui, sério não precisa – e se ele insistisse pra entrar? Ai meu Deus, que situação!
[Guilherme] Ei, relaxa tá. Vou apenas te levar em casa, imagino qual seja o motivo da sua pressa – ótimo, agora ele vai ficar pensando besteira.
[Ana] Não é o que você está pensando, ele só pediu para conversarmos e outra ele vai casar, esqueceu?
[Guilherme] Não estou pensando nada e pouco importa se ele vai casar ou não, sei que você é uma mulher inteligente e jamais trocaria um gato como eu por ele hahahahahaha – essa é uma das coisas que amo no Gui, o bom humor.
            Quando paramos em frente ao meu prédio fui me despedir dele com um selinho, mas que ele logo fez questão de aprofundar. E se tem uma coisa que me deixa louquinha é um beijo bem dado, tanto que ele já estava quase conseguindo me levar ao seu colo, mas então lembrei que estávamos no meio da rua, mas precisamente em frente ao meu prédio.
[Ana] Apenas me trazer em casa, né? – brinco com ele.
[Guilherme] Ué, e não te trouxe? O beijo foi o pagamento pela carona – ele pisca e me dar mais um selinho, antes deu sair do carro rindo.
            E bastou ele sair e eu me deparar com o Raul escorado em seu carro, nos observando, do outro lado da rua, sorri sem graça e acenei o chamando. Nos cumprimentamos, observo que ele chegou antes do horário, ele diz que tava por perto, mas soou como uma desculpa, enfim subimos...
[Ana] Entra, fica a vontade. Você se incomoda de esperar um pouco enquanto tomo um banho rápido?
[Raul] Não, fique a vontade a casa é sua rsrs
[Ana] Prometo não demorar muito, vou deixar uns aperitivos aqui pra ti e se quiser beber alguma coisa é só se servir – deixei uns queijos e uns salgadinhos e corri para o banho.
            Tentei ser o mais rápida possível, mas aquela água quente estava me deixando tão relaxada que acabei demorando mais que o planejado. Depois saí às pressas do banheiro procurando uma roupa, acebei pegando uns shortinho e uma camiseta e corri para a sala.
[Ana] Desculpa pela demora – fiquei sem graça quando percebi que ele segurava um porta retratos com uma foto nossa...
[Raul] Tudo bem, aproveitei para relembrar os velhos tempos, espero que não se importe – diz colocando o porta retratos de volta
[Ana] E então? – me jogo no sofá, sentando sobre as pernas.
[Raul] Então o que? – ele senta de frente pra mim
[Ana] Como foi relembrar os velhos tempos?
[Raul] Fiquei lisonjeado por saber que você guarda essa foto aqui na sua sala, acho que marquei sua vida de alguma forma. Seu namorado não acha ruim?
[Ana] Porque acharia? Tenho várias fotos com outros amigos e amigas espalhadas pela casa – preferi não negar a existência de um namorado.
[Raul] E eu fui só mais um amigo? – onde ele queria chegar com essa pergunta?
[Ana] Que diferença isso faz agora?
[Raul] Hoje te liguei porque queria ter uma conversa definitiva contigo, mas preciso que você fale o que estiver sentindo de verdade.
[Ana] Raul, daqui alguns dias você vai está em outro Estado vivendo um “pré casamento”, qual o sentido dessa conversa?
[Raul] Porque apesar de tudo isso, sinto que ainda estamos ligados de alguma maneira – posso ver a sinceridade em seus olhos enquanto fala.
[Ana] Você nunca foi, apenas, um amigo – respondo finalmente.
[Raul] Então, porque terminamos daquela forma?
[Ana] Não sei, acho que eu era muito imatura e fiquei assustada com a intensidade dos meus sentimentos, senti medo de me entregar e acabar sofrendo – tentei ser o mais sincera possível
[Raul] E deu certo? Digo, depois que terminamos você ficou aliviada, feliz?
[Ana] Mas se tivéssemos continuado teria me apegado ainda mais, e quando terminássemos o sofrimento seria maior.
[Raul] Terminássemos? Como tem tanta certeza que isso iria acontecer?
[Ana] Não tenho, droga! Mas tinha medo, só estava tentando me proteger.
[Raul] E você não pensou no sofrimento que estava me causando?
[Ana] Eu sabia que você se recuperaria rápido, como de fato aconteceu – eu o acuso, mesmo sem ter esse direito.
[Raul] E você não?
[Ana] O que você tá querendo com essa conversa, afinal?
[Raul] Você se arrepende? – e agora? Ele tá prestes a casar não é certo confundi-lo nesse momento, mas foi ele que pediu sinceridade, então tá...
[Ana] Sim
[Raul] Então porque você nunca me procurou?
[Ana] Porque eu conheço você, sei que quando está num relacionamento você fica acomodado, do que adiantaria eu te falar que estava arrependida se você já estava namorando? Você só iria ficar confuso, mas duvido que fosse terminar com a Mirela, mesmo se essa fosse sua vontade.
[Raul] Então agora a culpa é minha?
[Ana] Claro que não. Lembra quando namorávamos? Nossos amigos viviam te mandando tomar uma atitude e não aceitar o fato de eu não querer assumir nossa relação, mas pra ti estava cômodo daquele jeito, é o mesmo caso, você já estava adaptado a um novo relacionamento eu não iria chegar do nada pra ti e falar que estava arrependida, que ainda te amava e pedir pra voltarmos. Assim como você também tenho os meus defeitos, o medo e a insegurança são alguns deles.
[Raul] E hoje como você se sente?
[Ana] Acho que você deveria fazer essa pergunta a si mesmo – ficamos um tempo em silêncio, mas através dos nossos olhos conversávamos.
[Raul] Você tá namorando aquele cara? – Não, mas você tá indo morar com aquela sonsa.
[Ana] O nome dele é Guilherme, e não estamos namorando. Somos apenas amigos.
[Raul] Nós também éramos – ele muda de posição e se aproxima ficando a centímetros de mim.
[Ana] Verdade – digo num sussurro, tensa por conta dessa proximidade.
[Raul] Eu sempre fui o bonzinho, aceitei as condições que eram impostas, respeitei os limites, como foi a palavra que você usou agora a pouco? – o que ele vai fazer? Precisa falar tão perto assim?
[Ana] acomodado – falo tão baixo que nem sei se ele ouviu...
[Raul] Isso. Pois bem, não acho que burlar as regras uma vez vá me levar ao inferno, certo? Então, por alguns minutos, vou ser egoísta e pensar apenas em mim, na minha vontade. Dane-se o que vão pensar de mim depois, dane-se se vou me arrepender, dane-se se você vai sofrer – ele tá me chamando de egoísta ou é impressão?
            Não tive tempo de raciocinar sobre isso, muito mesmo de me defender. Ele enfiou a mão entre os meus cabelos puxando a minha nuca, com força – ui, gostei disso – e tomou meus lábios pra si. A sua outra mão foi para as minhas costas apertando por dentro da camiseta. Com o peso do próprio corpo, ele foi me deitando no sofá e ficando por cima de mim. A mão já não ficava apenas nas costas, ia espalhando carícias por todo o meu corpo.
 Eu também liguei o “dane-se” e aproveitei o momento, infiltrei a mão em seus cabelos e pressionava ainda mais nossas bocas. Trocávamos mordidas e chupões nos lábios e língua. O ar nos faltava, mas não queríamos que aquele momento de loucura chegasse ao fim. E quando não aguentávamos mais, ele começou a “castigar” meu pescoço – meu ponto fraco – mas eu também não ficaria por baixo, passei as unhas em suas costas, e quanto mais forte o fazia, mais ele chupava e lambia meu pescoço.
Puxei seus cabelos, e voltei a beijá-lo. Pra quem teve um péssimo dia de trabalho esse final de noite estava recompensando tudo. Era um beijo melhor que o outro. Ele apertava com força minha coxa, certamente deixaria marcas, dane-se. Aos poucos ele foi diminuindo o ritmo, até finalizar com um longo e molhado selinho. Ainda com o corpo sobre o meu, ele acaricia meus rosto, e abro os olhos encontrando os dele me encarando com luxúria e carinho ao mesmo tempo.
[Raul] Boa noite – ele disse e foi embora.

Escrito por @MahStewart1

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