Someone Like You
"This kiss is something I can't resist, Your lips are undeniable..."
Adoro
o meu trabalho, mas tem dias que eu me pego pensando como seria se tivesse
escolhido uma profissão mais tranquila, sem tantas cobranças, mas logo depois
me dou conta e esse trabalho dos sonhos não existe e que eu ainda tenho sorte
de fazer o que mais amo. Portanto, a melhor solução para esses dias
estressantes é sentar numa mesa de barzinho reunir os amigos e pedir uma
cerveja bem gelada pra exorcizar os problemas.
Já pela manhã eu sabia que o dia não
seria fácil, então na hora almoço liguei logo para a Carol combinando um happy
hour, ela ficou me zoando por ser eu a convidando para sair e não o contrário,
mas festeira como é foi logo aceitando e dizendo que chamaria o Gustavo e o
Guilherme, eu chamei a Raissa, mas ela já tinha um programa a dois com o Pedro,
aliás, esses dois já podiam assumir logo esse namoro.
Acho que a notícia de que a viagem
do Raul estava mais próxima contribuiu, e muito, para o meu mau humor. Mas
enfim, esse casamento já é praticamente fato consumado, então mais do que nunca
preciso desencanar de vez dessa história e partir para outra, quem sabe o Gui
não possa me ajudar nessa missão, afinal adoro a companhia dele e temos
bastante química.
Era disso que eu estava precisando
amigos, música e cerveja a combinação mais que perfeita. O barzinho estava
lotado. Os burburinhos e as risadas tomavam conta do lugar assim como as notas
tiradas pela viola e o pandeiro do grupo de samba que tocava ao vivo. Todo
mundo parecia querer esquecer os problemas do dia a dia e curtir o final de
noite se divertindo e paquerando. E não era diferente para o meu grupo de
amigos.
[Guilherme]
Dia difícil? – ele pergunta ao notar como o meu pescoço está tenso, enquanto
faz uma leve massagem e distribui alguns beijinhos.
[Ana]
Muito – digo num sussurro, aproveitando as mãos fortes dele. Mas logo o momento
é interrompido pelo meu celular...
Droga é o Raul, não quero atender, mas pode ser
alguma coisa com a Raissa, vou atender...
[Ana]
Alô – levanto pedindo desculpa ao Gui e saiu a procura de um local menos
barulhento
[Raul]
Onde você tá, que barulheira é essa? – oi? Tá querendo saber de mais não acha?
Penso, nervosa. – Desculpa, isso não é da minha conta, só liguei porque estou
precisando conversar contigo...
[Ana]
Não, tudo bem, só estou num happy hour com a Carol, você queria conversar
agora?
[Raul]
Será que eu posso passar na tua casa daqui umas duas horas, talvez? – Na minha
casa? Nossa a conversa deve ser séria..
[Ana]
Aconteceu alguma coisa?
[Raul]
Não, é só algo que precisamos conversar mesmo – Isso não vai dar certo, mas
enfim, vamos lá..
[Ana]
Ok, pode passar lá em casa.
[Carol]
O que ele queria? – que susto! Ela estava atrás de mim, mas pera como ela sabia
com quem eu estava falando?
[Ana]
Ele? - me faço de desentendida
[Carol]
Não me enrola, Ana Beatriz o Guilherme viu que era o Raul – que fofoqueiro.
[Ana]
Ele queria passar lá em casa para conversarmos
[Carol]
E?
[Ana]
E o que Carol?
[Carol]
Não me irrita, Ana
[Ana]
Daqui duas horas ele vai passar lá, e antes que você continue o interrogatório
não sei do que se trata a conversa, agora será que podemos voltar para a mesa?
Eu tentava disfarçar, mas não estava
me aguentando de tanta ansiedade pra saber o que o Raul queria tanto conversar
comigo que não poderia esperar pelo outro dia. Achei melhor parar de beber, já
é difícil me controlar quando estou sóbria, imagina estando alterada pelo
álcool e a sós no meu apartamento com ele? É melhor prevenir.
Ainda fiquei um tempo com eles no
barzinho, mas achei por bem ir logo pra casa, queria tomar um banho para
relaxar e diminuir essa ansiedade...
[Ana]
O encontro foi ótimo, mas preciso ir agora – já fui logo levantando.
[Guilherme]
Espera, tá de carro?
[Ana]
Não, mas tem táxi aí na porta, não precisa se preocupar...
[Guilherme]
Faço questão de te acompanhar – ele jogou o dinheiro para o Gustavo e já foi me
conduzindo até a entrada, onde pediu que buscassem seu carro.
[Ana]
Gui, sério não precisa – e se ele insistisse pra entrar? Ai meu Deus, que
situação!
[Guilherme]
Ei, relaxa tá. Vou apenas te levar em casa, imagino qual seja o motivo da sua
pressa – ótimo, agora ele vai ficar pensando besteira.
[Ana]
Não é o que você está pensando, ele só pediu para conversarmos e outra ele vai
casar, esqueceu?
[Guilherme]
Não estou pensando nada e pouco importa se ele vai casar ou não, sei que você é
uma mulher inteligente e jamais trocaria um gato como eu por ele hahahahahaha –
essa é uma das coisas que amo no Gui, o bom humor.
Quando paramos em frente ao meu
prédio fui me despedir dele com um selinho, mas que ele logo fez questão de
aprofundar. E se tem uma coisa que me deixa louquinha é um beijo bem dado,
tanto que ele já estava quase conseguindo me levar ao seu colo, mas então
lembrei que estávamos no meio da rua, mas precisamente em frente ao meu prédio.
[Ana]
Apenas me trazer em casa, né? – brinco com ele.
[Guilherme]
Ué, e não te trouxe? O beijo foi o pagamento pela carona – ele pisca e me dar
mais um selinho, antes deu sair do carro rindo.
E bastou ele sair e eu me deparar
com o Raul escorado em seu carro, nos observando, do outro lado da rua, sorri
sem graça e acenei o chamando. Nos cumprimentamos, observo que ele chegou antes
do horário, ele diz que tava por perto, mas soou como uma desculpa, enfim
subimos...
[Ana]
Entra, fica a vontade. Você se incomoda de esperar um pouco enquanto tomo um
banho rápido?
[Raul]
Não, fique a vontade a casa é sua rsrs
[Ana]
Prometo não demorar muito, vou deixar uns aperitivos aqui pra ti e se quiser
beber alguma coisa é só se servir – deixei uns queijos e uns salgadinhos e
corri para o banho.
Tentei ser o mais rápida possível,
mas aquela água quente estava me deixando tão relaxada que acabei demorando
mais que o planejado. Depois saí às pressas do banheiro procurando uma roupa,
acebei pegando uns shortinho e uma camiseta e corri para a sala.
[Ana]
Desculpa pela demora – fiquei sem graça quando percebi que ele segurava um porta
retratos com uma foto nossa...
[Raul]
Tudo bem, aproveitei para relembrar os velhos tempos, espero que não se importe
– diz colocando o porta retratos de volta
[Ana]
E então? – me jogo no sofá, sentando sobre as pernas.
[Raul]
Então o que? – ele senta de frente pra mim
[Ana]
Como foi relembrar os velhos tempos?
[Raul]
Fiquei lisonjeado por saber que você guarda essa foto aqui na sua sala, acho
que marquei sua vida de alguma forma. Seu namorado não acha ruim?
[Ana]
Porque acharia? Tenho várias fotos com outros amigos e amigas espalhadas pela
casa – preferi não negar a existência de um namorado.
[Raul]
E eu fui só mais um amigo? – onde ele queria chegar com essa pergunta?
[Ana]
Que diferença isso faz agora?
[Raul]
Hoje te liguei porque queria ter uma conversa definitiva contigo, mas preciso
que você fale o que estiver sentindo de verdade.
[Ana]
Raul, daqui alguns dias você vai está em outro Estado vivendo um “pré
casamento”, qual o sentido dessa conversa?
[Raul]
Porque apesar de tudo isso, sinto que ainda estamos ligados de alguma maneira –
posso ver a sinceridade em seus olhos enquanto fala.
[Ana]
Você nunca foi, apenas, um amigo – respondo finalmente.
[Raul]
Então, porque terminamos daquela forma?
[Ana]
Não sei, acho que eu era muito imatura e fiquei assustada com a intensidade dos
meus sentimentos, senti medo de me entregar e acabar sofrendo – tentei ser o
mais sincera possível
[Raul]
E deu certo? Digo, depois que terminamos você ficou aliviada, feliz?
[Ana]
Mas se tivéssemos continuado teria me apegado ainda mais, e quando
terminássemos o sofrimento seria maior.
[Raul]
Terminássemos? Como tem tanta certeza que isso iria acontecer?
[Ana]
Não tenho, droga! Mas tinha medo, só estava tentando me proteger.
[Raul]
E você não pensou no sofrimento que estava me causando?
[Ana]
Eu sabia que você se recuperaria rápido, como de fato aconteceu – eu o acuso,
mesmo sem ter esse direito.
[Raul]
E você não?
[Ana]
O que você tá querendo com essa conversa, afinal?
[Raul]
Você se arrepende? – e agora? Ele tá prestes a casar não é certo confundi-lo nesse
momento, mas foi ele que pediu sinceridade, então tá...
[Ana]
Sim
[Raul]
Então porque você nunca me procurou?
[Ana]
Porque eu conheço você, sei que quando está num relacionamento você fica acomodado,
do que adiantaria eu te falar que estava arrependida se você já estava
namorando? Você só iria ficar confuso, mas duvido que fosse terminar com a
Mirela, mesmo se essa fosse sua vontade.
[Raul]
Então agora a culpa é minha?
[Ana]
Claro que não. Lembra quando namorávamos? Nossos amigos viviam te mandando
tomar uma atitude e não aceitar o fato de eu não querer assumir nossa relação,
mas pra ti estava cômodo daquele jeito, é o mesmo caso, você já estava adaptado
a um novo relacionamento eu não iria chegar do nada pra ti e falar que estava
arrependida, que ainda te amava e pedir pra voltarmos. Assim como você também
tenho os meus defeitos, o medo e a insegurança são alguns deles.
[Raul]
E hoje como você se sente?
[Ana]
Acho que você deveria fazer essa pergunta a si mesmo – ficamos um tempo em
silêncio, mas através dos nossos olhos conversávamos.
[Raul]
Você tá namorando aquele cara? – Não, mas você tá indo morar com aquela sonsa.
[Ana]
O nome dele é Guilherme, e não estamos namorando. Somos apenas amigos.
[Raul]
Nós também éramos – ele muda de posição e se aproxima ficando a centímetros de
mim.
[Ana]
Verdade – digo num sussurro, tensa por conta dessa proximidade.
[Raul]
Eu sempre fui o bonzinho, aceitei as condições que eram impostas, respeitei os
limites, como foi a palavra que você usou agora a pouco? – o que ele vai fazer?
Precisa falar tão perto assim?
[Ana]
acomodado – falo tão baixo que nem sei se ele ouviu...
[Raul]
Isso. Pois bem, não acho que burlar as regras uma vez vá me levar ao inferno,
certo? Então, por alguns minutos, vou ser egoísta e pensar apenas em mim, na
minha vontade. Dane-se o que vão pensar de mim depois, dane-se se vou me
arrepender, dane-se se você vai sofrer – ele tá me chamando de egoísta ou é
impressão?
Não tive tempo de raciocinar sobre
isso, muito mesmo de me defender. Ele enfiou a mão entre os meus cabelos
puxando a minha nuca, com força – ui, gostei disso – e tomou meus lábios pra
si. A sua outra mão foi para as minhas costas apertando por dentro da camiseta.
Com o peso do próprio corpo, ele foi me deitando no sofá e ficando por cima de
mim. A mão já não ficava apenas nas costas, ia espalhando carícias por todo o
meu corpo.
Eu também
liguei o “dane-se” e aproveitei o momento, infiltrei a mão em seus cabelos e
pressionava ainda mais nossas bocas. Trocávamos mordidas e chupões nos lábios e
língua. O ar nos faltava, mas não queríamos que aquele momento de loucura
chegasse ao fim. E quando não aguentávamos mais, ele começou a “castigar” meu
pescoço – meu ponto fraco – mas eu também não ficaria por baixo, passei as
unhas em suas costas, e quanto mais forte o fazia, mais ele chupava e lambia
meu pescoço.
Puxei seus cabelos, e voltei a beijá-lo. Pra quem
teve um péssimo dia de trabalho esse final de noite estava recompensando tudo.
Era um beijo melhor que o outro. Ele apertava com força minha coxa, certamente
deixaria marcas, dane-se. Aos poucos ele foi diminuindo o ritmo, até finalizar
com um longo e molhado selinho. Ainda com o corpo sobre o meu, ele acaricia
meus rosto, e abro os olhos encontrando os dele me encarando com luxúria e
carinho ao mesmo tempo.
[Raul]
Boa noite – ele disse e foi embora.
Escrito por @MahStewart1
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