Someone Like You
"Mas não faz mal, não
é o fim da batucada. E a madrugada vem trazer meu novo amor..."
Puta
que pariu, vão derrubar mesmo a minha porta? Depois de uma noite pra lá de
confusa e frustrante, tudo o que eu mais queria era ficar embaixo do edredom o dia
inteiro, mas sempre aparece alguém para incomodar. Eu já estava convencida que
deixaria o(a) chato(a) tocando a campainha até o dedo ficar dormente, mas a
criatura não satisfeita começou a esmurrar minha porta, achei melhor abrir
antes o síndico também viesse me encher o saco.
Quando abro dou de cara com a Raíssa
me olhando de sobrancelhas levantadas e a Carol que estava de pijama(?), parece
que ela também acordou com a barulheira.
[Carol]
Pronto, será que posso voltar para minha cama, ao lado do meu namorado? – tá
sentindo na pela como é ser incomodada, né amiga?
[Raissa]
Você quem sabe, minha conversa é mesmo com a Ana Beatriz – Que merda, conversa
a essa hora da manhã e ainda me chamou pelo nome todo, SOCORRO!
[Carol]
Acho que vou dar um tempo pro Gustavo recuperar as energias e ficar aqui com
vocês – curiosa!
[Ana]
Essa conversa precisa ser agora, não dar pra ser tipo na próxima encarnação? Na
boa, não tô muito a fim de papo ainda mais depois de ter sido acordada dessa
forma – fui logo mostrando que estava de mau humor, ainda mais que estava
prevendo a pauta da conversa.
[Raissa]
Você nunca acorda de bom humor, então isso não é nenhuma novidade pra mim e
outra se está tanto querendo fugir da conversa é porque já sabe o que quero...
[Carol]
Gente o que tá rolando que eu não tô sabendo? – ela pergunta vindo da cozinha
com uma bandeja cheia de coisas – O quê? Tô com fome, oras... Podem se servir –
ele diz justificando o assalto a minha geladeira.
[Raissa]
O que aconteceu ontem à noite? – direto ao alvo!
[Carol]
Aconteceu alguma coisa ontem à noite?
[Ana]
Não – vou ficar monossilábica, assim é mais fácil não meter os pés pelas mãos.
[Carol]
Mentira – ela disse enquanto olhava diretamente para o meu pescoço, chamando a
atenção de Raissa para aquele local, DROGA! – Não me diz que você e o Raul,
OMG!! – decidi ignorar o comentário da Carol e ser direta também.
[Ana]
O que exatamente te fez bater na minha porta a essa hora, Raissa? – Ela não
poderia adivinhar nada, a menos que ele tenha falado algo.
[Raissa]
O Raul me ligou bem cedo avisando que antecipou a viagem e está embarcando hoje
ao meio dia – ela parou de falar e ficou observando minha reação, e eu
certamente não conseguir disfarçar a tristeza, mas principalmente a raiva que
senti ao ouvi a notícia – E a sua reação só me faz ter mais certeza que rolou
alguma coisa ontem à noite.
[Carol]
Ontem ele veio conversar com ela aqui, não foi Ana? – Eu apenas assenti e
levantei indo à cozinha pegar algo pra beber.
[Raissa]
Isso eu já sei, eu que sugeri que eles conversassem aqui.
[Carol]
Conversassem? Acho que rolou mais coisa... – ela diz com a voz carregada de
malícia.
[Raissa]
É isso que estou esperando a Ana nos contar.
[Ana]
Pergunte ao seu irmão – respondi de forma grosseira, ela não merecia isso, mas
estava irritada.
[Raissa]
Perguntei, mas ele não quis contar – ele fala triste
[Ana]
Eu também não quero, que saco! – disse sentindo meus olhos arderem, era só o
que faltava, chorar na frente delas. Acho que elas perceberam algo na minha voz
e aparecerem no meu lado em segundos.
[Carol]
Amiga, você tá chorando... – e já foi logo me abraçando. Apesar do nó na
garganta e da umidade já visível em meus olhos, não permiti que as lágrimas
caíssem, e rapidamente me soltei dos braços da Carol e segui em direção ao
quarto, a intenção era que elas percebessem que não queria mais papo e fossem
embora, mas elas não entenderam e me seguiram, fui logo me trancando no
banheiro.
[Raissa]
Aninha, desculpa, não precisa falar nada se não quiser... Somos suas amigas,
não se esconde da gente... – percebi a preocupação em sua voz, mas que droga
devo está na TPM pra ter chorado na frente delas.
[Carol]
Agora tô ainda mais curiosa pra saber o que rolou ontem pra deixar a Ana desse
jeito e o Raul fugindo – ela sussurrou, mas conseguir ouvir.
Respirei fundo, lavei o rosto e
decidi sair do banheiro. Encontro às duas sentadas na minha cama. Sento na
poltrona de frente a elas, que me encaram.
[Carol]
Mas afinal, o que foi que rolou ontem, heim? – ela pergunta aflita.
Respirei fundo mais uma vez e achei
melhor contar logo tudo de uma vez e foi o que eu fiz, sem esconder nenhum
detalhe.
[Carol]
Qual o problema do Raul? Como ele chega aqui, te beija e simplesmente vira as
costas e vai embora? – ela andava de um lado para o outro, revoltada.
[Ana]
Embora, mesmo – sussurro lembrando que daqui algumas horas ele realmente
estaria indo embora.
[Raissa]
Por mais que eu pense, não consigo entender essa situação – ela falava e olhava
pela janela, como se estivesse diante de um quebra-cabeça super complexo.
[Ana]
Pois eu te explico. Deve ter nascido na cabeça do Raul alguma dúvida,
principalmente depois que voltamos a nos falar, então ele me procurou para
colocarmos de uma vez por todas uma pedra nessa história. Ele me beijou
simplesmente para ter certeza que não sentia mais nada por mim, tirou a prova,
foi embora e voltou para a sua futura esposa, pronto.
[Raissa]
O Raul jamais faria isso com você – ela foi taxativa – Mas e você, chegou a
qual conclusão depois do beijo?
[Ana]
Não sei, nunca pensei que ele tomaria a atitude de me beijar... Foi bom, não
vou negar...
[Carol]
Bom, amiga? Pela cara que tu fez enquanto contava, foi muito além de bom
hahahaha
[Ana]
Mas que diferença isso faz?
[Raissa]
Vai desistir de novo?
[Ana]
Desistir de que? Nós não temos nada, esqueceu? Olha meninas, tomei uma decisão
e peço, por favor, que essa seja a última vez que falemos sobre esse assunto. A
minha história com o Raul acabou, definitivamente, e eu quero seguir com a
minha vida, por isso vou investir no meu lance com o Guilherme.
[Carol]
Eu apoio, Aninha. O Gui te adora e aos poucos tenho certeza que ele vai te
conquistar.
[Raissa]
Não acho certo você se jogar num relacionamento ainda estando envolvida com
outro.
[Carol]
Quando o Raul começou sair com a Mirela ele ainda amava a Ana, e você foi
contra ele seguir a vida dele?
[Ana]
Sei o quanto vocês torceram para que essa história desse certo, mas não deu
meninas. Então o melhor não é que cada um siga a sua vida e busque a
felicidade? – olhei diretamente para Raissa.
[Raissa]
Tudo bem, desculpa Ana. Te amo e vou sempre te apoiar e torcer pela sua
felicidade, seja ao lado de quem for.
Nos abraçamos e fomos tomar café. A
partir de agora é vida nova. E para começar, quando as meninas foram embora,
liguei para o Guilherme o convidando para um jantarzinho no meu apartamento e
ele topou na hora.
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